
Cerca de 229 mil pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais na Região Sul em 2025, conforme cálculo com base nos dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região concentra 11,7% dos 1,959 milhão de trabalhadores identificados no país.
Os dados fazem parte da edição sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. O levantamento considera pessoas com 14 anos ou mais que utilizam plataformas para prestar serviços, como transporte de passageiros, entregas e atividades profissionais.
No Brasil, os cerca de 2 milhões de trabalhadores por plataformas representavam 1,9% da população ocupada em 2025. O Sudeste concentrava a maior parcela, com 55,3%, seguido pelo Nordeste, com 19,7%. Depois aparece o Sul, com 11,7%. Centro-Oeste e Norte respondiam por 7,3% e 6%, respectivamente.
Transporte concentra maior número de trabalhadores
Os aplicativos de transporte de passageiros concentravam a maior parte dos trabalhadores. Cerca de 1,2 milhão de pessoas utilizavam esse tipo de plataforma, equivalente a 58,9% do contingente pesquisado.
Entre os trabalhadores identificados pelo IBGE, 376 mil atuavam como entregadores de comida e produtos. Outros 313 mil trabalhavam por meio de plataformas de prestação de serviços gerais ou profissionais, grupo que inclui atividades como design, tradução e até serviços de telemedicina.
Para 1,8 milhão de pessoas, as plataformas eram o trabalho único ou principal. Outros 182 mil utilizavam os aplicativos em uma atividade secundária. A pesquisa também apontou a flexibilidade de horários como principal motivação para trabalhar por meio das plataformas, citada por 26,8% dos profissionais que tinham essa atividade como ocupação principal. A dificuldade para encontrar outro trabalho apareceu em seguida, com 24,6%.
Jornada é maior e rendimento por hora é menor
Apesar da flexibilidade associada ao trabalho por aplicativos, os profissionais que utilizavam plataformas tinham uma jornada média de 44,7 horas por semana. Entre os demais trabalhadores do setor privado, a média era de 39,3 horas — diferença de 5,4 horas semanais.
O rendimento mensal ficou praticamente no mesmo nível entre os dois grupos. Os trabalhadores por aplicativos recebiam, em média, R$ 3.147 por mês, enquanto os demais ocupados tinham rendimento médio de R$ 3.148.
A diferença aparece quando o valor é calculado por hora trabalhada. Entre os profissionais das plataformas, o rendimento médio era de R$ 16,20 por hora, 12% abaixo dos R$ 18,40 registrados entre os demais trabalhadores.
Informalidade chega a 72,1%
A pesquisa também mostra maior presença da informalidade entre os trabalhadores por aplicativos. Segundo o IBGE, 72,1% estavam em ocupações informais, contra 42,7% entre os trabalhadores que não utilizavam plataformas digitais.
A cobertura previdenciária também era menor. Apenas 34% dos trabalhadores por plataformas tinham cobertura, enquanto entre os demais ocupados o índice chegava a 63%.
O levantamento de 2025 ampliou o alcance da pesquisa e passou a considerar também pessoas que utilizam plataformas digitais em trabalhos secundários. Por essa razão, o total de 1,959 milhão não deve ser comparado diretamente com as edições anteriores. Considerando somente quem tinha as plataformas como ocupação principal, o contingente passou de 1,7 milhão em 2024 para 1,8 milhão em 2025.

