Uma das maiores feiras de agronegócio do país, a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, está em sua 26ª edição e reafirma sua importância em aproximar os produtores rurais das novas tecnologias, oportunidades de negócio, debates sobre o futuro do setor e defesa de seus interesses. Até o dia 13 de março, os visitantes terão acesso a uma variedade de tecnologias e inovações.
Com mais de 600 expositores, a Expodireto é considerada uma das maiores feiras de agronegócio da América Latina e espera receber entre 250 mil e 300 mil visitantes ao longo dos cinco dias do evento.
Apesar do grande alcance da Expodireto, o agente de negócios Hermes José Santin, de 33 anos, observa que este ano houve uma movimentação abaixo do esperado.
“Em termos de movimentação, percebemos uma diminuição significativa. Muitas pessoas não compareceram ao evento neste ano. Clientes tradicionais não estão presentes, alguns devido às recentes estiagens que atingiram o Estado. Este ano se mostra atípico, com locais sofrendo com a seca enquanto outros têm boas colheitas. As vendas estão em baixa neste momento”, lamentou Santin.
Segundo ele, as condições climáticas levaram os produtores a aproveitar o tempo para continuar a colheita em vez de prestigiar a feira.
“Estamos presenciando o que imaginávamos, com uma diminuição no movimento, especialmente porque em alguns locais a colheita foi antecipada devido à seca. Comparado aos anos anteriores, acredito que houve uma redução de 30 a 35% no número de pessoas presentes nos três primeiros dias do evento”.
Gigante da agricultura
Uma das atrações da Expodireto este ano é o New Holland CR 11, considerado atualmente a maior máquina do mundo.
Com uma plataforma de 23 metros e um motor de 775 cavalos, o CR 11 impressiona não apenas pelo tamanho, mas também pelo seu alto valor. A máquina pode facilmente custar mais de 1 milhão de dólares, cerca de R$ 7 milhões na cotação atual.
Em termos de produção, o CR 11 é capaz de cobrir uma área de 140 hectares em apenas um dia de colheita.
Mobilização em defesa do setor
A Expodireto também se destaca como um importante palco de reivindicações para o campo. Durante a abertura do evento na última segunda-feira (9), houve uma mobilização pacífica em defesa do agronegócio.
Liderado pela Associação dos Produtores e Empresários Rurais (APER) e pelo Movimento Securitização Já, o protesto contou com cerca de 300 produtores rurais de diversas cidades gaúchas. Eles caminharam 8 quilômetros pela ERS-142, saindo de Invernadinha até a Expodireto.
O movimento destaca as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais gaúchos, como endividamento crescente, safras malsucedidas, crises nos setores leiteiro e arrozeiro, insegurança jurídica, impactos da cobrança de royalties e a falta de políticas estruturantes para o setor. Eles também pedem uma política de seguro agrícola acessível e eficaz.

