Na última quarta-feira (20), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, revelou o projeto da ERS-466, uma rodovia que visa conectar a Rota do Sol a Canela, facilitando o acesso ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha, localizado em Caxias do Sul. As informações sobre o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) foram divulgadas durante a abertura da 35ª Mercopar, que está acontecendo em Caxias do Sul.
O custo estimado para a obra é de R$ 288 milhões, apresentando um impacto ambiental menor em relação a outras duas alternativas que foram analisadas.
O traçado adotado segue pela Estrada do Juá até a ERS-235, em Canela. De acordo com o estudo, essa opção apresenta curvas e rampas mais suaves e requer estruturas menores para se adaptar ao relevo local.
Leite informou que o anteprojeto da rodovia deverá ser finalizado até dezembro. Após essa fase, o governo dará continuidade aos trâmites de licenciamento ambiental e às etapas necessárias para contratar o projeto executivo e iniciar as obras.
Traçado escolhido reduz custos e impacto ambiental
O estudo avaliou três diferentes rotas para a nova ligação rodoviária. As duas primeiras opções seguem os trajetos pelos corredores de Tunas Baixa e Tunas Altas, acompanhando a estrada existente, cruzando o vale do Rio Caí e alcançando Gramado.
Essas alternativas têm extensões de 50,5 quilômetros e 50,2 quilômetros, com custos calculados em R$ 499 milhões e R$ 517 milhões, respectivamente.
Por outro lado, a alternativa pela Estrada do Juá prevê um total de 46 quilômetros de intervenções. Desses, 41 quilômetros correspondem ao trecho entre a Rota do Sol e a ERS-235 em Canela. Os cinco quilômetros restantes são destinados ao acesso ao novo aeroporto.
O valor estimado de R$ 288 milhões considera cifras de referência de janeiro de 2026. O estudo foi desenvolvido pelo Consórcio Rodovias RS e aprovado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) em setembro.
Outro ponto relevante tratado no estudo foi a necessidade da construção de pontes. O diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, destacou que as opções pelo vale do Rio Caí exigiriam uma estrutura total de 1.080 metros. Em contraste, o traçado selecionado necessita apenas de três pontes menores com um total de 360 metros.
Rodovia prevê menor impacto sobre a mata nativa
A pesquisa também revelou diferenças significativas no impacto ambiental das opções. A rota pela Estrada do Juá demandaria a supressão de cerca de nove hectares de vegetação nativa, enquanto as demais alternativas estimam cortes entre 24 e 27 hectares.
Além disso, o anteprojeto inclui 49 passagens para fauna, estruturas projetadas para permitir que animais se desloquem sob ou ao longo da rodovia, minimizando assim as travessias na pista.
Na análise econômica realizada, o estudo projeta um retorno estimado de R$ 1,63 em benefícios para cada R$ 1 investido. Essa projeção considera possíveis economias relacionadas à redução no tempo e custos das viagens, além dos impactos indiretos sobre emprego, produção e valorização imobiliária. Vale ressaltar que esse indicador reflete benefícios econômicos previstos e não representa receita direta para os cofres públicos.
Projeto prevê pistas pavimentadas e acostamentos
A estrada atualmente analisada possui aproximadamente 51 quilômetros. Desse total, apenas 22 quilômetros foram pavimentados pelas prefeituras locais. A via atual conta com largura variável entre 3,3 e 4,3 metros e carece de acostamentos adequados.
Para a nova ligação proposta, o planejamento contempla uma plataforma pavimentada com largura total de 12,2 metros; isso inclui duas faixas principais de tráfego com largura de 3,6 metros cada e acostamentos laterais medindo 2,5 metros.
As pesquisas em campo realizadas possibilitaram ajustes no traçado conforme as características do terreno. A velocidade projetada é estabelecida em até 80 km/h nos trechos retos e reduzida para 60 km/h nas áreas serranas. Esses parâmetros são fundamentais para determinar o projeto da rodovia mas não definem os limites finais de velocidade que serão indicados na sinalização viária.
As simulações sugerem um tempo aproximado de viagem de 47 minutos entre a Rota do Sol até o entroncamento da Estrada do Caracol com a ERS-235 em Canela. Para chegar ao mesmo ponto partindo do aeroporto, estima-se um tempo ligeiramente superior: cerca de 48 minutos. Esses cálculos consideram as velocidades estipuladas pelo projeto juntamente com uma velocidade média final no trecho correspondente à baixa velocidade permitida (40 km/h).
Anteprojeto e licenciamento são as próximas etapas
Com a finalização do anteprojeto prevista, será necessário avançar com o licenciamento ambiental apropriado bem como na elaboração do projeto executivo antes dos procedimentos para contratação das obras terem início.
A execução dos serviços está estimada para levar 36 meses. Esse período refere-se à duração esperada das obras; no entanto, não há uma data específica definida para entrega final que dependerá da evolução das etapas preliminares e dos processos contratuais necessários.
A nova ligação irá beneficiar tanto o transporte de passageiros quanto o transporte de cargas, conectando efetivamente a Rota do Sol ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha enquanto promove uma melhor integração rodoviária entre Caxias do Sul, Gramado e Canela.
A feira Mercopar acontece entre os dias 20 e 23 de outubro nos Pavilhões da Festa da Uva em Caxias do Sul. Este evento focado em inovação industrial é promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RS) junto à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
