A defesa de Thiago Augusto Jacob, gerente de um banco acusado de ser o líder de um esquema que desviou aproximadamente R$ 100 milhões de uma agência do Banco do Brasil, refuta qualquer ligação dele com o crime. O advogado Antônio Jacob Sobrinho, pai do gerente, afirmou que Thiago apenas “prestou esclarecimentos” à Polícia Federal e não possui vínculos com o grupo detido pela Polícia Militar na última quinta-feira (2).
“Ele foi à polícia na condição de informante e participou apenas para prestar depoimento, pois foi mencionado por um dos detidos que teria aberto uma conta com ele”, disse.
Antônio acrescentou que, após os esclarecimentos, Thiago foi liberado e responderá ao inquérito em liberdade. Para o advogado, sua soltura reforça a alegação de inocência do gerente. “Se ele estivesse envolvido, estaria preso. A acusação contra ele carece de fundamento. Não há provas da participação dele no esquema e isso será demonstrado durante a investigação”, declarou.
O advogado também relatou que Thiago foi transportado para a sede da PF em um veículo da PM sem identificação e sem algemas, mas foi algemado posteriormente para “ser apresentado à imprensa”.
O Banco do Brasil informou que Thiago estava afastado de suas funções desde 30 de dezembro do ano passado. O comunicado ressaltou que a instituição está colaborando com as investigações policiais e tomando as medidas adequadas em relação ao caso.
Fraudes
O Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), responsável pelas prisões dos suspeitos, estima que o grupo desviou cerca de R$ 100 milhões durante o ano passado através de diversas fraudes, incluindo falsificação de boletos bancários e cartões de crédito.
Junto com Thiago Augusto Jacob, foram detidos Igor Djalma Shimitel Menezes (38 anos), Albany Almeida dos Santos (37), Dawisdam Simarone Freitas (35) e Vanderson Ramos do Amaral (38), este último residente no estado do Pará.
A investigação revelou que os crimes eram executados utilizando cartões clonados, boletos falsificados e falsificação de precatórios da união, documentos que comprovam dívidas do governo federal com pessoas físicas ou jurídicas. O tenente Diogo Albernaz explicou que o grupo também falsificava autorizações da Justiça Federal para liberar os valores das precatórias.
“Eles criavam documentos fraudulentos como precatórios e despachos judiciais. Com esses papéis em mãos, o gerente realizava transferências para contas laranjas associadas aos mesmos nomes das precatórias e depois distribuía o dinheiro entre várias outras contas laranjas ao redor do país. Temos indícios de que podem ter desviado aproximadamente R$ 100 milhões”, afirmou o tenente.
O Bope informou ainda que a quadrilha era monitorada há cerca de seis meses e realizava transações financeiras significativas. Segundo a polícia, eles estavam prestes a efetuar uma transferência de R$ 6 milhões quando foram capturados.
“Eles clonavam cartões, geravam boletos na conta de um laranja utilizando cartões clonados para quitá-los e depois distribuíam os valores transferidos por meio de outras contas laranjas. Encontramos pelo menos 100 cartões clonados durante a operação”, acrescentou o tenente do Bope.
Tarefas
A investigação revelou que os suspeitos mantinham registros sobre quanto cada um receberia das transações fraudulentas. O tenente Albernaz detalhou que três deles eram encarregados de obter os dados dos laranjas, geralmente pessoas falecidas, presas ou em situação socioeconômica vulnerável. Outro membro do grupo era responsável pela emissão dos boletos, precatórios e autorizações falsificadas.
O gerente é apontado como facilitador na abertura das contas utilizando documentos falsificados pertencentes aos laranjas e na execução das precatórias fraudulentas.
Ainda segundo o tenente, os detidos levavam vidas confortáveis sem ostentação excessiva. “Eles possuíam residências em condomínios fechados, mas não exibiam riqueza ostensiva. Acreditamos que há uma quantidade significativa de dinheiro escondido”, relatou.

