Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e à disparada dos preços do barril, a Petrobras informou que pode reduzir o impacto da alta do petróleo no Brasil sem comprometer sua rentabilidade. A estatal divulgou nota à imprensa nesta semana reafirmando seu compromisso com a mitigação dos efeitos da crise internacional sobre o mercado doméstico.
Estratégia comercial
De acordo com a companhia, a mudança na política de preços adotada em 2023 permite maior flexibilidade. A empresa abandonou o modelo de Paridade de Preço Internacional (PPI), que repassava integralmente as variações do mercado externo. Agora, a Petrobras considera em sua estratégia “as melhores condições de refino e logística” para definir os valores cobrados no país.
“Isso nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável”, diz o comunicado. A empresa acrescentou que essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro.
Por questões concorrenciais, a Petrobras não pode antecipar decisões específicas, mas reforçou que segue comprometida com atuação “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”.
Cenário internacional
A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, somada ao fechamento do Estreito de Ormuz, elevou o preço do barril a patamares superiores a US$ 120 na segunda-feira (9). Pelo estreito, trafegam cerca de 25% de todo o petróleo comercializado no mundo.
Nos dias seguintes, os valores recuaram após declarações do presidente americano, Donald Trump, indicando que o conflito estaria próximo do fim. Nesta quarta-feira (11), o barril do tipo Brent é negociado abaixo dos US$ 100, ainda distante da média de US$ 70 registrada antes do início das hostilidades.
Apesar do recuo, Trump voltou a ameaçar o Irã na noite de terça-feira. Em declaração após o fechamento dos mercados, afirmou que novos ataques americanos seriam “vinte vezes mais fortes” e “tornarão praticamente impossível a reconstrução do Irã como nação” caso Teerã mantenha o bloqueio no Estreito de Ormuz.
Impacto ao consumidor
A combinação entre tensão geopolítica e dependência externa mantém o mercado em alerta. Ainda que a Petrobras consiga amenizar parcialmente os efeitos da alta, o consumidor brasileiro pode sentir reflexos nos próximos meses, especialmente nos preços dos combustíveis e em setores que dependem de insumos derivados do petróleo.

