Uma pesquisa de caráter internacional, publicada na revista científica Nature em 29 de julho de 2026, anunciou a descoberta de 396 estruturas de terra que até então não haviam sido registradas no sudoeste da Amazônia. Os dados utilizados para essa investigação foram obtidos através de voos realizados entre 6 de junho e 1º de julho de 2024, abrangendo os estados do Acre e do Amazonas.
É relevante destacar a diferença temporal entre o mapeamento e a divulgação dos resultados: enquanto o levantamento ocorreu em 2024, a análise científica, as estimativas populacionais e a publicação ocorreram em 2026.
Utilizando a tecnologia LiDAR, um sistema que escaneia o terreno com lasers para mapear o relevo oculto pela vegetação, os pesquisadores exploraram uma área total de 4.497 quilômetros quadrados. Dessa forma, foram localizadas 432 estruturas, das quais apenas 36 já eram conhecidas, resultando em um total de 396 novas descobertas.
Resultados foram apresentados em 2026
Os achados dessa pesquisa ampliaram a compreensão sobre a civilização Aquiry, composta por diversas comunidades indígenas que habitaram o sudoeste da Amazônia antes da chegada dos europeus.
A partir das novas informações e dados anteriores, os pesquisadores estimam que essa região possa conter entre 24 mil e 30 mil estruturas criadas pela atividade humana, sendo que cerca de dois terços delas estariam ligadas à sociedade Aquiry.
Além disso, o estudo sugere que entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas habitaram essa área entre os anos 100 e 300. Essa estimativa considera as estruturas identificadas, registros arqueológicos e informações etnográficas, além do esforço necessário para erguer e manter essas construções.
Entretanto, é importante ter cautela ao considerar a estimativa populacional. Especialistas ressaltam que os números não derivam diretamente de análises feitas em casas ou áreas residenciais escavadas. Para validar como essas construções eram utilizadas, novos trabalhos em campo e datações serão essenciais.
Tecnologia revelou estruturas sob a floresta
Os chamados geoglifos são grandes formações no solo compostas por valas e elevações. Muitas dessas estruturas apresentam formatos circulares, quadrados ou poligonais.
Dada a cobertura florestal sobre parte dessas construções, fotografias convencionais não conseguem revelar todos os vestígios existentes. O sistema LiDAR emite pulsos laser para criar modelos digitais do terreno, minimizando assim as obstruções causadas pela vegetação.
O estudo indica que as primeiras construções associadas a essas comunidades começaram há mais de 2.500 anos. Esses locais podem ter sido usados para rituais cerimoniais, encontros políticos e atividades coletivas.
Serra Gaúcha também guarda patrimônio arqueológico
Embora a pesquisa não tenha identificado geoglifos na Serra Gaúcha, há uma conexão regional na preservação dos vestígios deixados pelos povos que anteriormente habitavam o território brasileiro antes da colonização europeia.
Na cidade de Caxias do Sul, o Laboratório de Ensino e Pesquisas Arqueológicas da Universidade de Caxias do Sul (Lepar-UCS) abriga cerca de 10 mil peças e fragmentos arqueológicos. Esse acervo inclui materiais coletados em municípios como Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves, Veranópolis, Vacaria e Flores da Cunha.
Entre os itens preservados encontram-se pedras lascadas e polidas, cerâmicas diversas, conchas, ossos e fragmentos de madeira. Esses materiais são cruciais para que os pesquisadores estudem os grupos humanos que ocuparam distintas áreas do Rio Grande do Sul.
A descoberta divulgada em 2026 enfatiza a relevância das novas tecnologias na revelação de partes desconhecidas da história indígena. Além disso, ressalta o papel fundamental das instituições regionais na conservação dos vestígios arqueológicos encontrados na Serra Gaúcha.
