A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que o fenômeno El Niño pode alcançar uma intensidade sem precedentes até o final de 2026, aumentando os riscos de eventos climáticos extremos em várias partes do globo. Esse aviso foi emitido na quarta-feira (21), com a possibilidade de que seus efeitos se estendam até 2027.
Conforme a OMM, a temperatura da superfície do mar na zona central e oriental do Pacífico tropical pode apresentar uma anomalia de cerca de 3,8°C entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Espera-se que o fenômeno atinja seu pico em dezembro, mas suas consequências podem se prolongar nos meses subsequentes.
Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, destacou que os eventos climáticos extremos já observados têm potencial para se multiplicar e afetar novas áreas à medida que o fenômeno se intensifica.
El Niño aumenta riscos de secas, chuvas intensas e calor
O El Niño é um fenômeno associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico equatorial. Essa mudança afeta a circulação atmosférica e altera os padrões climáticos, incluindo temperatura e precipitação, em diversas regiões do planeta.
A OMM enfatiza que o episódio previsto para o final de 2026 pode acentuar condições climáticas desfavoráveis, impactando áreas como agricultura, abastecimento hídrico, saúde pública e segurança alimentar.
As consequências variam conforme a localização geográfica. Algumas regiões podem enfrentar secas severas, enquanto outras estão mais propensas a experimentar chuvas excessivas e inundações.
ONU alerta para agravamento da fome
Tom Fletcher, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, chamou atenção para a crescente insegurança alimentar. Ele mencionou que aproximadamente 50 milhões de pessoas poderão enfrentar um agravamento das condições alimentares devido aos efeitos relacionados ao fenômeno.
Essa preocupação é intensificada por um contexto global marcado por conflitos armados, deslocamentos populacionais, aumento nos preços dos combustíveis, fertilizantes e alimentos, além de cortes significativos na assistência humanitária.
Fletcher também alertou que as consequências do El Niño podem transcender as áreas diretamente afetadas pelas mudanças climáticas. Os impactos na produção agrícola, recursos hídricos e mercados podem gerar novos choques econômicos, aumentando a vulnerabilidade das comunidades ao redor do mundo.
Mais de US$ 50 milhões para ações humanitárias
Com vistas à mitigação dos possíveis efeitos adversos, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) anunciou a liberação de mais de US$ 50 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências.
Esses recursos serão direcionados para apoiar 11 países considerados prioritários na preparação contra as consequências do fenômeno. Entre eles estão Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.
A iniciativa visa fortalecer a capacidade de resposta das comunidades vulneráveis, permitindo que governos e organizações humanitárias antecipem riscos e planejem ações preventivas antes que as condições climáticas gerem emergências maiores.
Quais regiões podem ser mais afetadas?
A atualização climática da OMM revela diferentes tendências esperadas nos próximos meses:
- África Oriental: maior probabilidade de chuvas acima da média entre outubro e dezembro, com risco significativo de inundações devido às precipitações intensas.
- África Austral: aumento nas chances de condições secas a partir de novembro, o que pode comprometer a agricultura e o acesso à água.
- Sudeste Asiático: temperaturas elevadas combinadas com redução nas chuvas podem afetar severamente o abastecimento hídrico e aumentar o risco de incêndios florestais.
- Américas: previsão indica mais chuvas no noroeste dos EUA, em partes da América do Norte, no norte do Caribe e no sudeste da América do Sul. Em contrapartida, áreas na América Central, sul do Caribe e Amazônia enfrentam risco elevado de seca.
Essas projeções são sazonais e refletem tendências específicas para determinadas regiões; não representam previsões definitivas sobre eventos em cada município individualmente.
Preparação pode reduzir os impactos
Apesar da expectativa por um evento intenso desse fenômeno climático, a OMM ressalta que os efeitos não precisam necessariamente culminar em desastres humanitários.
A agência recomenda o uso eficaz das previsões meteorológicas, sistemas de alerta precoce e planejamento estratégico para orientar decisões governamentais e ações humanitárias.
É aconselhado priorizar as comunidades mais suscetíveis e preparar medidas para enfrentar extremos climáticos como calor intenso, estiagem severa ou chuvas torrenciais que possam interromper o abastecimento hídrico e alimentar.
A OMM enfatiza que a antecipação dos riscos pode ser crucial para mitigar perdas humanas e econômicas, mesmo diante da intensidade prevista deste fenômeno climático.

