A elevação dos preços dos combustíveis já está gerando preocupação na economia da Serra Gaúcha. Entre os dias 8 e 14 de março, o preço médio da gasolina no país aumentou 2,54%, atingindo R$ 6,46 por litro. No mesmo período, o diesel S10 subiu 12,03%, chegando a R$ 6,89. Esse movimento ocorre em meio à escalada da tensão no Oriente Médio, que voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo.
Na prática, o impacto local será sentido inicialmente no valor do frete. A região da Serra Gaúcha possui uma intensa movimentação de mercadorias e passageiros, com uma indústria e setor de serviços significativos no Rio Grande do Sul. Em Caxias do Sul, a indústria desempenha um papel central, enquanto no COREDE Serra predominam setores como veículos, alimentos, metalurgia, máquinas, móveis e bebidas. Com o diesel mais caro, os custos de transporte de insumos, distribuição de mercadorias e operação diária das empresas da região aumentam.
“A defasagem do preço do óleo diesel no país ultrapassa 50%, de acordo com os últimos dados da Abicom, ou seja, o diesel deveria estar pelo menos R$1,91 mais caro para acompanhar os preços internacionais do petróleo”, afirma Leonardo B. Piveta, comentarista do Leouve e mestre em Economia.
Frete mais caro pressiona cadeia de preços
Quando o transporte se torna mais caro, o repasse de preços geralmente se estende para outros setores. Supermercados, restaurantes, comércio e prestadores de serviços passam a operar com custos mais elevados. Há preocupação de que a pressão observada nos postos de combustível se estenda para alimentos e serviços nos próximos dias, especialmente em uma região que depende fortemente de transporte rodoviário para se conectar com outras cidades do Estado e do país.
Para a indústria da Serra, isso significa uma margem de lucro mais apertada. Setores que envolvem a aquisição frequente de matéria-prima, transporte entre municípios e distribuição regional sentirão o impacto mais rapidamente. O aumento do preço do diesel também afeta negativamente as transportadoras, exportações e abastecimento do varejo.
Mercado monitora inflação e juros
O aumento dos combustíveis também preocupa por outro motivo: dificulta o controle da inflação. No relatório Focus de 13 de março, o mercado projetou um IPCA de 4,10% para 2026, acima da meta fixada em 3%. Para março, a expectativa apontava a taxa Selic em 14,75% e, para abril, em 14,25%. Esse cenário ajuda a explicar a cautela do mercado em uma semana de decisões de política monetária.
“A indústria caxiense, que já está sentindo os efeitos da taxa Selic em 15%, enfrentará mais esse desafio caso o aumento do diesel se traduza em aumento do custo logístico”, afirmou Piveta.
Para a Serra Gaúcha, o aviso é claro. Se a pressão internacional sobre o petróleo se mantiver, o impacto não ficará limitado aos postos de combustível. Ele se refletirá no frete, nos alimentos, nos serviços, na indústria e no turismo, áreas que desempenham um papel importante no cotidiano da economia regional.

