Skip to content
Cotidiano Gaucho
Cotidiano Gaucho
segunda-feira 26 outubro 2026
  • Shop
Cotidiano Gaucho
Cotidiano Gaucho
  • Home
  • Agronegócio
  • Brasil
  • esportes
  • Notícias
  • Politica
Novidades
outubro 7, 2026Farroupilha anuncia cronograma para inscrições e transferências no Ensino Fundamental de 2027 abril 8, 2026Moisés Scussel conquista aprovação de legislação que assegura transparência em obras por meio de QR Code em Bento Gonçalves dezembro 17, 2024Ação da PF prende delegado envolvido em execução de delator do PCC junho 3, 2026Pregão para continuidade das obras do Ginásio Poliesportivo de Passo do Sobrado acontece em 17 de outubro outubro 14, 2026Arroio do Sal se junta a cinco cidades brasileiras que realizarão eleição suplementar para a prefeitura setembro 23, 2026Distinções entre voto em branco e nulo nas Eleições de 2026: tudo que você precisa saber fevereiro 4, 2025Dia do Dermatologista: conheça as tendências da dermatologia estética para 2025 julho 8, 2026Sindiserv alerta para possibilidade de salários parcelados em Caxias do Sul sem aval da Prefeitura abril 26, 2024Desafio da Defesa do Grêmio: Igualar a Melhor Sequência Sem Sofrer Gols do Ano, Apesar da Escassez de Opções no Setor setembro 9, 2026Arroio do Sal tem segundo furto de cabos em seis dias; 1.034 ficam sem luz
  • Home
  • Agronegócio
  • Brasil
  • esportes
  • Notícias
  • Politica
Cotidiano Gaucho
Cotidiano Gaucho
Agronegócio
Agronegócio

Mudanças climáticas desafiam vitivinicultura e exigem adaptação na Serra

Cotidiano GauchoCotidiano Gauchosetembro 9, 2026 689 Minutes read0
Foto: Divulgação

O avanço das mudanças climáticas globais e a ocorrência frequente de eventos meteorológicos extremos exigem adaptações contínuas da agricultura na Serra Gaúcha. Diante do cenário de forte estiagem e incêndios que atingiram polos produtores na Europa — como na França, onde os impactos reformatam o cenário de regiões tradicionais como Champagne —, a vitivinicultura brasileira volta a atenção para a gestão de riscos e para a preservação das características essenciais das uvas cultivadas em Bento Gonçalves, como o frescor e a acidez indispensáveis para a elaboração de espumantes e vinhos finos.

Situação na Europa

Parreiral na região de campanhe. Credito: Divulgação

O calor extremo e a redução das chuvas anteciparam a vindima de 2026 na região de Champagne, na França. Com isso, os produtores iniciaram a colheita na primeira semana de agosto, no período mais precoce já registrado pela denominação. Tradicionalmente, a retirada das uvas ocorre entre setembro e outubro. Neste ano, porém, os viticultores precisaram antecipar os trabalhos para preservar a acidez e o equilíbrio necessários à produção do champanhe.

Em junho, algumas áreas de Champagne registraram até 40°C. Além disso, a estiagem reduziu o tamanho dos frutos e aumentou a concentração de açúcares. Por consequência, os produtores também precisaram reorganizar a logística da colheita, que depende majoritariamente de trabalho manual. 

De acordo com o relatório de 2026 do Comité Champagne, 266,1 milhões de garrafas foram comercializadas na França e no exterior em 2025, movimentando US$ 6,6 bilhões. Desse total, as exportações responderam por 56,5% das remessas. A região representa cerca de 8% do consumo mundial de espumantes em volume e 31% em valor. Além disso, o setor emprega aproximadamente 30 mil pessoas diretamente e mobiliza cerca de 100 mil trabalhadores sazonais durante a vindima.

Neste ano, entretanto, a produção também sofreu perdas provocadas pela geada registrada na primavera. Segundo informações do setor, o fenômeno comprometeu cerca de 30% da colheita. Somada ao calor e à seca, a ocorrência deve ampliar a redução da produtividade. David Chatillon, presidente da Union de Champagne Houses, destaca o impacto conjunto dos eventos climáticos. “Mas não é apenas por causa da seca. Perdemos 43% da produção potencial com as geadas da primavera, e a seca claramente tornou o problema da menor produtividade ainda pior”, afirma.

Maturação acelerada e alternativas

Crédito: Credito Anderson Pagani

Alexandre Gobillard, diretor de produção da Gobillard & Fils, aponta que o início da colheita em agosto representa uma mudança significativa em relação ao calendário tradicional de Champagne. Segundo ele, a videira precisa de disponibilidade regular de água para se desenvolver. No entanto, quando enfrenta estresse hídrico, a planta utiliza parte da água disponível nos frutos para manter seu funcionamento. Dessa forma, os bagos concentram mais açúcar e aceleram o processo de maturação.

Consequentemente, os produtores têm menos tempo entre o amadurecimento e a colheita. Por isso, precisam mobilizar os trabalhadores com antecedência e acelerar as operações nos vinhedos. A medida busca retirar as uvas no momento adequado e evitar que o avanço da maturação altere as características necessárias à produção do espumante.

Além de Champagne, outras regiões produtoras também enfrentaram condições semelhantes. Na Itália, por exemplo, o calor levou produtores de espumantes a antecipar a vindima. Em alguns casos, os trabalhadores passaram a colher as uvas durante a noite, quando as temperaturas ficam mais baixas.

Diante desse cenário, o setor busca alternativas para reduzir os impactos das mudanças climáticas. Entre as medidas estão investimentos em práticas sustentáveis, agricultura regenerativa, redução das emissões de carbono e preservação da diversidade genética das variedades utilizadas na produção.

Além disso, algumas vinícolas recorrem às reservas de vinho para compensar parte das perdas provocadas pelos eventos climáticos. Maxime Toubart, co-presidente do Comité Champagne, explica que os produtores podem utilizar vinhos armazenados em cubas para substituir parte da produção perdida. Assim, a estratégia ajuda o setor a manter a disponibilidade do produto mesmo diante de uma safra marcada por geadas, calor intenso e estiagem.

O cenário na Serra Gaúcha

Créditos: Anderson Pagani

Ao mesmo tempo em que a crise europeia expõe um panorama desafiador, abre-se uma janela de oportunidade para o Brasil colocar os seus espumantes em destaque no mercado global. Para enfrentar a instabilidade do regime térmico e hídrico no Rio Grande do Sul, a Cooperativa Vinícola Aurora prioriza o mapeamento de microclimas e a recomendação de variedades mais resilientes para os produtores associados. A estratégia busca associar a escolha de cultivares às especificidades de cada área de plantio, evitando perdas decorrentes de geadas tardias ou excesso de precipitação.

O gerente agrícola da cooperativa, Maurício Bonafé, explica que o comportamento do clima local exige acompanhamento constante, embora a região não enfrente as condições extremas registradas em áreas áridas do continente, como o norte da Argentina ou do Chile. Segundo Bonafé, os últimos anos apresentaram oscilações acentuadas no microclima gaúcho. “Se pegarmos os últimos 5 anos, nós passamos por estiagem, passamos por excesso de volume de chuva, passamos por excesso de frio e falta do mesmo. É inegável que esteja acontecendo alguma mudança ou alguma oscilação. Mas o detalhe que nós temos na nossa região, em Bento Gonçalves, é que não estamos vivendo nos extremos”, explica.

Para garantir a qualidade da matéria-prima sem comprometer os parâmetros analíticos das uvas, o trabalho técnico explica que foca na adequação do manejo no campo. Bonafé ressalta que a adaptação passa necessariamente pelo entendimento de como as diferentes plantas reagem ao ambiente geográfico. “Quando a gente fala de Vitis vinifera ou Vitis labrusca, não temos uma gama de variedades que vão aos extremos. Tem muitas que se adaptam em ambientes mais frios e ambientes mais quentes, mas não que vão resistir a um aumento de temperatura muito forte ou a uma baixa de temperatura muito brusca”, ressalta.

O agrônomo revela que a Cooperativa Vinícola Aurora inicia um trabalho focado nessa seleção em parceria com universidades para comprovar cientificamente quais variedades pertencem a cada ambiente. Se uma cultivar precoce for implantada em uma área baixa sujeita a frios tardios, o risco de perda por geada torna-se recorrente.

Além da escolha de cultivares, a discussão sobre o impacto do clima abrange as indicações geográficas e o zoneamento agrícola regional. A consolidação de um terroir depende diretamente das condições atmosféricas que moldam a produção ao longo do tempo. Na Europa, as Denominações de Origem Controlada já sentem a alteração no perfil dos produtos em relação ao passado. Na avaliação de Bonafé, embora essa mudança ainda não seja tão perceptível em Bento Gonçalves, o suporte de órgãos de pesquisa, como a Embrapa, é fundamental para ajustar as diretrizes de cultivo e preparar o setor.

Adaptabilidade e tecnologia

Crédito: Zeto Teloken

Modelos de adaptação já consolidados no país demonstram que a intervenção humana consegue contornar barreiras climáticas. Exemplo disso é a técnica da dupla poda utilizada na região Sudeste para fugir das chuvas torrenciais, além do avanço da viticultura em direção ao centro e norte do Rio Grande do Sul.

Outro diferencial da Serra Gaúcha frente aos polos europeus monocultores é a diversificação de variedades em uma mesma propriedade, o que permite maior margem para diluir o impacto de oscilações na época de colheita. O planejamento de cada safra na Aurora começa meses antes da brotação, entre maio e junho, cruzando os prognósticos de fenômenos como El Niño ou La Niña com a análise da fertilidade das gemas nas videiras.

Com base no cruzamento desses dados, a equipe agronômica define protocolos específicos para a adubação, ajuste na carga de gemas por hectare e intervenções fitossanitárias direcionadas contra doenças fúngicas típicas de anos úmidos, como míldio e botrytis.

A tomada de decisão no campo conta ainda com o suporte de tecnologias de precisão e dados meteorológicos monitorados em tempo real. Estações instaladas nos vinhedos enviam informações de temperatura, volume de chuva e molhamento foliar para softwares que calculam o risco de surgimento de enfermidades. “Temos estações meteorológicas no campo que nos dão o resultado de previsão climática, volume de chuva, temperatura e molhamento foliar. Tudo isso vai para um software e retorna para o produtor a informação de se precisa fazer um tratamento fitossanitário ou não, se pode esperar mais um dia ou dois. Ou seja, cada vez temos mais formas de realizar manejo e ser cada vez mais assertivo”, afirma.

Para determinar o momento ideal da colheita, a avaliação combinada de teor de açúcar (Brix) e sanidade das bagas é associada a ferramentas de previsão do tempo de curto prazo, com precisão de sete a dez dias. Bonafé enfatiza que o agendamento da colheita prioriza critérios técnicos rigorosos. “Quando eu consigo chegar no produtor e fazer uma análise de teor de Brix e sanidade com o equipamento, olho para a questão climática e falo se essa vinha tem condições de esperar para a gente aumentar o grau. Nada de achismo, tudo na questão de ver a situação qualitativa do vinhedo e da uva, olhando para o clima para liberar ou não a colheita”, salienta.

A preparação técnica visa assegurar a estabilidade da atividade agrícola diante das incertezas meteorológicas, permitindo que os agricultores familiares mantenham a sustentabilidade econômica e a resiliência no campo. Bonafé pontua que a proatividade é o único caminho para mitigar prejuízos e evitar o êxodo rural na região. “Nós sabemos que poderá ter chuvas fortes, frios mais tardios e temporais. Sabendo disso, o que a gente pode fazer para tentar minimizar um pouco e fazer com que o produtor também minimize as suas perdas? O objetivo do nosso setor é justamente esse”, fnaliza.

O acompanhamento preventivo, a pesquisa científica e a adoção de tecnologias de precisão continuam a ser as principais ferramentas para resguardar a cadeia produtiva e manter o padrão dos vinhos e espumantes produzidos no município.

Tags
AgriculturaAgrobento gonçalvesMundoviticultura gaúchaVitivinicultura
FacebookTwitterWhatsAppLinkedInEmailLink

Cotidiano Gaucho

Previous post Agroindústrias de Bento Gonçalves conquistam cinco prêmios na 49ª Expointer
next post Vitivinicultura gaúcha ganha destaque na Expointer com vinícolas de diferentes regiões

Fique Conectado

InstagramFollow us
Notícias em Destaque
1

Especialista divulga obra que orienta sobre como transformar o lar em cada etapa da vida

julho 15, 2026
2

Mudança nas regras de recursos ao STJ pode afetar financeiramente as empresas

agosto 12, 2026
3

Vereadora propõe transformar castramóvel em unidade de atendimento veterinário no Canil Municipal de Caxias durante a redução de despesas

abril 29, 2026
4

Incidente com poste e danos na rede elétrica acendem alerta em Farroupilha

julho 22, 2026
5

Riscos em Compensações Tributárias: Atenção Redobrada com Créditos de Terceiros Sem Amparo Legal

julho 15, 2026
Novidades
1

Governo do Brasil destaca avanços sociais, econômicos e investimentos federais em Pernambuco em 2025

janeiro 2, 2026
2

Voto em branco versus voto nulo: saiba como eles se diferenciam nas Eleições de 2026

setembro 23, 2026
3

Nova ferramenta da Alliance One facilita contratação de produtores através de aplicativo inovador

março 18, 2026
4

Rio Grande do Sul destina R$ 44 milhões para impulsionar a viticultura local

junho 10, 2026
5

Caxias do Sul celebra entrega de cinco residências para famílias afetadas por incêndio na Vila Ipê

junho 10, 2026
Novidades

Caxias do Sul: Defesa Civil sinaliza alerta máximo devido ao perigo de inundação do Rio Caí

julho 29, 2026

Mulher surpreendida com alto estoque de entorpecentes em Caxias do Sul

março 18, 2026

Motociclista sofre ferimentos em acidente grave na RSC-453, em Mato Leitão

março 18, 2026

Trio é sentenciado por extorsão e tortura em caso de agiotagem em Caxias do Sul

outubro 7, 2026
Confira

Pesquisa

Cotidiano Gaucho © 2025.