Os pequenos agricultores do Rio Grande do Sul estão começando a safra de verão 2026/27 enfrentando sérias dificuldades financeiras. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) estima que as dívidas acumuladas por esses produtores, que fazem parte do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), totalizam R$ 8,5 bilhões em todo o Estado.
Desse montante, aproximadamente R$ 3 bilhões, ou seja, 35%, estariam aptos para renegociação conforme as diretrizes da Medida Provisória (MP) 1.376/2026. Essa MP, editada pelo governo federal em julho, permite a criação de novas linhas de crédito destinadas à regularização e reestruturação das dívidas rurais.
Esse quadro alarmante de endividamento é resultado de perdas consecutivas na produção devido a fenômenos climáticos adversos. Tal situação gera preocupação entre os agricultores, que precisam garantir financiamento para o cultivo e manter o acesso ao crédito durante este novo ciclo agrícola.
Entraves na Renegociação
Em uma carta aberta divulgada no mês de setembro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou que o processo de renegociação ainda não atende os produtores com a agilidade e a amplitude necessárias segundo a bancada.
A FPA identificou diversos obstáculos nesse processo, como a exigência de laudos agronômicos para validar as perdas anteriores, revisões nas garantias exigidas, cobranças iniciais para alongamento das dívidas e custos adicionais envolvidos.
Além disso, a frente parlamentar defende alterações que assegurem que a adesão à renegociação não prejudique o acesso ao crédito na próxima safra. Também é ressaltada a importância de manter as características dos fundos constitucionais destinados ao financiamento agrícola.
A MP 1.376/2026 abrange aqueles produtores que sofreram perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com uma diminuição mínima de 30% na renda bruta agropecuária prevista. O prazo para implementação da medida foi estendido por mais 60 dias em setembro.
Expectativa de Safra Superior a 35,6 Milhões de Toneladas
Embora os agricultores enfrentem desafios financeiros significativos, uma primeira projeção da Emater/RS-Ascar indica um aumento na produção para a safra de verão 2026/27 no Rio Grande do Sul.
A previsão é que o Estado produza cerca de 35,639 milhões de toneladas, representando uma elevação de 8,64% em relação aos 32,804 milhões de toneladas da temporada anterior. A área cultivada deve totalizar aproximadamente 8,428 milhões de hectares, apresentando uma leve redução de 0,37%.
A pesquisa considera as principais culturas do verão e destaca a soja como um fator crucial para a recuperação esperada. A produção dessa oleaginosa deve atingir cerca de 21,151 milhões de toneladas, refletindo um crescimento de 15,32% comparado à safra anterior.
Entretanto, a área destinada ao cultivo da soja deverá diminuir em 0,92%, ficando em torno de 6,645 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade média projetada aumenta significativamente: passa de 2.735 quilos por hectare para 3.183 quilos por hectare – um avanço notável de 16,37%.
Durante sua apresentação das projeções na Expointer em Esteio, representantes da Emater/RS-Ascar destacaram o endividamento dos agricultores como um dos principais obstáculos que devem ser enfrentados na nova safra, especialmente devido aos impactos sobre o acesso ao crédito e à capacidade de investimento dos produtores.

