Nas últimas safras, um pequeno inseto tem tirado o sono de muitos produtores de hortaliças: a tripes. Discreta, rápida e altamente adaptável, essa praga se espalha com facilidade entre lavouras e estufas, podendo percorrer mais de 300 metros em busca de novas plantas hospedeiras. Por isso, o controle eficiente não pode ser isolado nem eventual, ele precisa ser contínuo, estratégico e realizado de forma conjunta entre áreas vizinhas de produção.
Um dos pontos-chave no manejo está na redução das populações fora da área de cultivo. Como parte da fase do ciclo ocorre no solo, especialmente na fase de pupa, práticas simples podem fazer grande diferença. A aplicação de inseticidas contendo entre 5% e 10% de açúcar ao redor das áreas de cultivo, nos corredores entre canteiros ou diretamente no solo das estufas, ajuda a atrair e eliminar os insetos adultos em deslocamento. Além disso, manter o solo bem umedecido e realizar aplicações de inseticidas direcionadas contribui para reduzir a sobrevivência das pupas.
Estratégias de Manejo em Sistemas de Cultivo
Em sistemas com cultivo em bancadas (vasos, calhas, slabs ou hidropônicos), outra estratégia eficiente é o uso de ráfia de solo carijó ou de cal virgem na superfície do solo, na dose aproximada de 300 g por metro quadrado. A prática ajuda a reduzir a sobrevivência das pupas e cria um ambiente menos favorável ao desenvolvimento da praga. Essas medidas culturais, muitas vezes negligenciadas, funcionam como uma verdadeira barreira sanitária dentro do sistema de produção, algo essencial para quem busca bons resultados na colheita.
Nos tratamentos foliares, o manejo deve combinar diferentes ferramentas. Entre os inseticidas sintéticos utilizados estão produtos como Delegate e Benevia, enquanto no controle biológico ganham espaço o percevejo predador do gênero Orius e microrganismos entomopatogênicos como Beauveria bassiana, Isaria e Metarhizium anisopliae. No entanto, a eficiência dessas aplicações depende muito das condições climáticas: os melhores resultados costumam ocorrer no final da tarde e quando a umidade relativa do ar se mantém entre 75% e 85%, favorecendo tanto a ação dos produtos sintéticos quanto a atividade dos agentes biológicos.
No fim das contas, controlar tripes exige disciplina no manejo. Programas preventivos, aplicações sequenciais em intervalos curtos e o rodízio de princípios ativos são fundamentais para evitar resistência e garantir eficiência ao longo do ciclo. E, acima de tudo, cada aplicação deve respeitar rigorosamente o período de carência dos produtos. Na horticultura moderna, o sucesso no controle dessa praga não depende de uma única solução, mas da soma de várias estratégias bem executadas. De acordo com especialistas em tecnologia no campo, a prevenção ainda é o melhor investimento.

