Na manhã desta segunda-feira (6), a Comissão Externa da Câmara dos Deputados, que monitora os prejuízos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, promoveu o seminário intitulado “Danos Causados pelas Enchentes na Serra Gaúcha”. O evento ocorreu no Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG) em Bento Gonçalves, reunindo autoridades do governo federal e municipal, além de prefeitos, empresários, representantes da sociedade civil e especialistas no tema.
Esse seminário faz parte de uma iniciativa que abrange uma série de encontros realizados em várias localidades do estado, com o objetivo de identificar necessidades locais, monitorar a recuperação das áreas afetadas, supervisionar a utilização dos recursos públicos e debater estratégias para evitar futuros desastres climáticos.
Defesa de planejamento e projetos estruturais por parlamentares
O coordenador da Comissão, deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS), enfatizou que as visitas aos municípios são essenciais para entender as demandas da população e exigir resultados efetivos.
“Solidariedade não substitui planejamento; o voluntariado não pode substituir obras públicas bem executadas, e palavras não podem substituir ações concretas”, declarou.
Conforme o deputado, o seminário tem como propósito propor soluções relacionadas ao cronograma das obras, à transparência na aplicação dos fundos, à atualização dos mapas de risco, ao fortalecimento da Defesa Civil, à melhoria dos sistemas de alerta e ao suporte às atividades produtivas.
O relator da Comissão, deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS), ressaltou a importância de transformar as lições aprendidas com a tragédia em medidas contínuas de prevenção.
“Mais do que consciência ou solidariedade, precisamos agir. Não podemos repetir os mesmos erros diante de um novo evento dessa magnitude”, afirmou.
Críticas sobre a utilização dos recursos financeiros
No seminário, o deputado estadual Felipe Camozzato (NOVO-RS) reiterou sua defesa pela extensão dos prazos para a execução das obras financiadas pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Ele também criticou a alocação de verbas para campanhas publicitárias enquanto projetos estruturais permanecem sem investimento.
Caminhos como pontes e acessos, além de intervenções focadas na resiliência climática, devem ser priorizados segundo Camozzato.
Cobrança por liberação de recursos pelo prefeito
O prefeito Amarildo Lucatelli, de Bento Gonçalves, destacou os efeitos das enchentes no município e afirmou que a recuperação depende da liberação urgente dos recursos pendentes.
Ele também expressou seu descontentamento com a ausência de representantes do Governo Estadual durante o seminário e pediu maior rapidez na execução dos investimentos planejados.
“Existem muitos recursos programados pelo Governo Estadual que ainda não foram liberados. Continuaremos buscando essas verbas para dar sequência às obras”, afirmou Lucatelli.
Agradecendo o suporte financeiro recebido do Governo Federal, Lucatelli mencionou ainda a recente liberação de R$ 8 milhões destinados às ações de reconstrução.
Acompanhamento da reconstrução pela Comissão
A Comissão Externa da Câmara dos Deputados foi criada em novembro de 2023 após as enchentes que devastaram o Vale do Taquari e outras áreas do Rio Grande do Sul. Sua atuação se intensificou após a tragédia climática em maio de 2024, que afetou aproximadamente 90% dos municípios gaúchos.
Dentre as principais iniciativas apresentadas no seminário estão audiências públicas, esforços para aprovar projetos voltados à reconstrução, apoio na recuperação da infraestrutura danificada e monitoramento quanto ao uso adequado dos recursos públicos. Além disso, foram discutidas medidas para incentivar o turismo, apoiar setores produtivos e auxiliar agricultores impactados pelas enchentes.
No decorrer da manhã, diversas autoridades federais, estaduais e municipais estiveram presentes no evento junto com representantes do setor empresarial e entidades da sociedade civil organizada.

