No dia 10 de julho, uma sexta-feira, a Meta decidiu suspender o recurso Muse Image, que possibilitava a criação de imagens geradas por inteligência artificial a partir de fotos disponíveis em contas públicas do Instagram. Essa ferramenta utilizava os perfis como base sem solicitar autorização anterior e foi descontinuada após receber críticas de usuários e especialistas.
O Muse Image foi introduzido na terça-feira, 7 de julho, pelo Meta Superintelligence Labs, o setor de inteligência artificial da companhia. Embora essa funcionalidade tenha sido desativada, o modelo de geração de imagens permanece ativo. A Meta apenas eliminou a opção que permitia referenciar contas públicas do Instagram utilizando o símbolo “@”.
Funcionamento do recurso
A característica permitia que os usuários solicitassem novas imagens com base nas fotografias de perfis públicos de indivíduos maiores de 18 anos. Entretanto, os donos das contas utilizadas como referência não eram notificados sobre a criação desse conteúdo.
Para impedir a utilização das publicações, o usuário deveria desativar a permissão nas configurações do Instagram ou tornar seu perfil privado. A escolha desse modelo, que se baseava na recusa posterior ao invés da autorização prévia, levantou questões relacionadas ao consentimento e à transparência.
Especialistas em segurança digital e direitos online alertaram que ferramentas dessa natureza podem facilitar a criação de montagens e réplicas digitais não autorizadas, além de gerar conteúdos que possam prejudicar a imagem dos indivíduos envolvidos.
A Meta comunicou que sua intenção era disponibilizar uma ferramenta criativa que permitisse aos usuários controlar o uso de seus conteúdos públicos. Contudo, diante da repercussão negativa recebida, a empresa admitiu que o recurso não cumpriu esse propósito e decidiu torná-lo indisponível.
A companhia não esclareceu se notificará as pessoas cujas fotos foram utilizadas enquanto a função esteve ativa nem como lidará com eventuais solicitações em relação aos conteúdos já gerados.
A corrida pela inteligência artificial
Felipe Pereira, especialista em marketing digital com mais de duas décadas de experiência e diretor da Uno Digital e da Mercúrio Educação, acredita que o lançamento do Muse Image é parte da estratégia da Meta para recuperar sua posição no mercado de inteligência artificial.
“Na batalha pelo domínio das IAs gerais, temos como protagonistas a OpenAI com o ChatGPT, Google com o Gemini e Anthropic com o Claude. Uma das aplicações principais dessas tecnologias é a criação de conteúdo para redes sociais, plataformas onde a Meta atua. No entanto, ela ficou para trás e agora busca reverter essa situação”, declara.
Pereira ressalta que embora o recurso tivesse potencial para atrair usuários, ele foi lançado sem garantias adequadas em termos de segurança, privacidade e consentimento.
Discussão sobre responsabilização das plataformas
Esse incidente intensifica o debate acerca da responsabilidade das empresas tecnológicas pelos conteúdos gerados ou alterados por meio da inteligência artificial.
No dia 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal redefiniu seu entendimento estabelecido em 2025 referente à responsabilidade civil das plataformas por conteúdos publicados por terceiros. A nova decisão delineou circunstâncias nas quais as empresas poderão ser responsabilizadas caso não implementem ações contra materiais ilegais.
Embora o julgamento não aborde diretamente ferramentas como o Muse Image, ele reforça as discussões sobre os deveres das plataformas na prevenção de abusos, proteção dos usuários e remoção de conteúdos prejudiciais.
