Neste mês de maio, duas empresárias de Caxias do Sul embarcaram em uma missão técnica para a Itália com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva do queijo colonial gaúcho.
A equipe buscou inspiração internacional para avançar na conquista da Denominação de Origem (DO) e da Indicação Geográfica (IG) do queijo colonial produzido na Serra Gaúcha.
Representando Caxias do Sul, participaram da missão:
- Cátia Pasquali, da Monterra Queijos Artesanais;
- Marta Bolson Camêlo, da Queijaria Bolson & Camêlo.
A ação contou com o suporte do Sebrae, da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e da Emater.
Visitas a regiões tradicionais italianas
O grupo, composto por aproximadamente 20 produtores e técnicos, explorou áreas das cidades de Parma, Bergamo e Trento, que são renomadas mundialmente pela valorização de produtos com certificações de origem.
A escolha pela Itália se deu devido à sua reputação global no uso de Indicações Geográficas como meio de agregar valor a produtos tradicionais.
Conforme informações de Fernando Vissirini Lahm dos Reis, diretor de Fomento Agropecuário da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SMAPA), o selo de IG é concedido a produtos que estão associados a uma região específica.
“Esse selo atesta a qualidade, a tradição e a reputação exclusiva vinculadas ao local da produção, protegendo a forma de saber-fazer e valorizando os produtores rurais”, detalhou.
Valorização das tradições familiares
Marta Bolson Camêlo enfatizou que obter essa certificação representa um significativo reconhecimento da trajetória das famílias produtoras na região.
“A IG do queijo colonial para nossa agroindústria representaria a história dos nossos antepassados e traria um valor agregado ao nosso produto”, declarou.
Ela relembrou como tudo começou com uma produção artesanal dentro do lar, onde sua mãe, Josefina, fazia queijos informalmente para ajudar nas despesas familiares.
Aproximação com as raízes italianas
<pMarta também compartilhou o impacto emocional que a viagem teve sobre ela.
“A experiência foi maravilhosa: estive na terra de onde vieram nossos ancestrais. Tenho certeza que a arte de fazer queijo veio junto”, comentou.
Cátia Pasquali, representante da Monterra Queijos Artesanais, ressaltou como os europeus valorizam produtos vinculados ao seu território.
“Eles dão destaque a esses produtos, incluindo não apenas queijos, mas também mel, azeite e vinhos. A culinária e as redes hoteleiras reconhecem muito essa valorização”, observou.
De acordo com Cátia, os participantes focaram em entender especialmente a história do queijo Asiago, produzido no norte da Itália e que apresenta semelhanças com o queijo colonial gaúcho.
“Acreditamos que nossos ancestrais imigrantes se inspiraram neste produto para criar nosso queijo colonial devido às semelhanças na massa, textura e sabor”, afirmou.
Papel da certificação na economia regional
A expectativa é que a futura Indicação Geográfica contribua para aumentar o reconhecimento do queijo colonial da Serra Gaúcha. Isso deve resultar em valorização do produto, fomento ao turismo rural e ampliação das oportunidades para pequenos produtores locais.
