Entre esta quarta-feira (12) e a madrugada de quinta-feira (13), uma série de eventos astronômicos promete agitar o céu, mas a realidade para os moradores da Serra Gaúcha é bem diferente do que algumas notícias nas redes sociais sugerem. O eclipse solar total não será visível no Brasil, enquanto a chuva de meteoros Perseidas enfrentará condições desfavoráveis no Hemisfério Sul, além das previsões meteorológicas que dificultarão qualquer tentativa de observação noturna na região.
Em Caxias do Sul, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta laranja de tempestade para quarta-feira, prevendo chuvas intensas, ventos entre 60 e 100 km/h e a possibilidade de granizo. Essa previsão aumenta a probabilidade de um céu nebuloso durante os eventos noturnos.
Enquanto isso, várias publicações online associam o dia 12 a um eclipse solar, ao auge das Perseidas e a um alegado “alinhamento” ou “parada” de seis planetas. Embora esses fenômenos sejam reais, isso não significa que eles possam ser observados na Serra Gaúcha da forma como afirmam essas publicações.
Eclipse solar não será visível da Serra Gaúcha
Sobre o eclipse, a resposta é clara: não será possível avistar o fenômeno em Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha ou em qualquer outro local do Brasil.
O Observatório Nacional informou nesta segunda-feira (10) que o eclipse programado para 12 de agosto não será visível nem mesmo parcialmente no território brasileiro. A sombra da Lua estará direcionada ao Hemisfério Norte, com a faixa de totalidade passando por regiões da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e Portugal.
Os que estiverem na Serra poderão acompanhar o evento apenas através de transmissões online.
Portanto, as condições meteorológicas não influenciam na possibilidade de observar o eclipse na Serra Gaúcha: mesmo com um céu limpo, ele não seria visível.
Perseidas podem ter 100 meteoros por hora?
Uma verdade pode gerar uma interpretação equivocada.
A International Meteor Organization (IMO) estima que as Perseidas tenham uma Taxa Horária Zenital (ZHR) de até 100 meteoros por hora em seu pico. No entanto, esse número não implica que qualquer observador verá cem meteoros em uma única hora.
A ZHR é um cálculo feito para condições ideais: céu completamente limpo e escuro e o ponto onde os meteoros parecem surgir — conhecido como radiante — diretamente acima do observador.
Para 2026, a IMO indica que o pico ocorrerá entre 2h e 4h UTC do dia 13 de agosto, correspondente aproximadamente ao intervalo entre 23h de quarta-feira e 1h de quinta no horário brasileiro. A Lua Nova favorece um céu sem iluminação lunar.
No entanto, há um fator importante para o Rio Grande do Sul: a própria IMO afirma que as Perseidas são difíceis de serem observadas na maior parte do Hemisfério Sul. Os locais mais propícios estão nas latitudes médias do Hemisfério Norte, onde o radiante se eleva mais no céu.
Isso implica que os “100 meteoros por hora” mencionados em manchetes não refletem a expectativa de visualização para a Serra Gaúcha.
E o alinhamento de seis planetas?
Outro tema que circulou amplamente é um suposto alinhamento dos planetas Mercúrio, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
Na Astronomia, termos como “alinhamento” ou “parada planetária” geralmente se referem à situação em que vários planetas aparecem próximos uns dos outros em uma mesma área do céu. Isso não implica que estejam fisicamente alinhados em linha reta no espaço.
A NASA explica que eventos conhecidos popularmente como planet parades ocorrem quando vários planetas são visíveis simultaneamente no céu. Cinco deles são normalmente acessíveis sem telescópio: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Urano está no limite da visão humana mesmo nas melhores condições e Netuno não está entre os planetas facilmente avistáveis a olho nu.
Além disso, há outro motivo para moderar as expectativas. No guia oficial da NASA para observação em agosto de 2026, são destacados os eventos do eclipse solar e das Perseidas nos dias 12 e 13; também são mencionados Vênus entre os dias 14 e 16 de agosto e um eclipse lunar parcial ao final do mês. Entretanto, não há menção à “parada dos seis planetas” como um dos principais eventos desse dia específico.
Portanto, não é apropriado prometer aos leitores da Serra Gaúcha a possibilidade de observar simultaneamente seis planetas. Mesmo quando vários astros estão geometricamente posicionados no céu, fatores como horário, horizonte e luminosidade fazem toda a diferença na observação.
Tempestade deve fechar ainda mais a janela de observação
Além das limitações astronômicas mencionadas anteriormente, as condições climáticas trazem mais dificuldades à Serra Gaúcha.
O alerta atual do Inmet para Caxias do Sul, emitido nesta terça-feira (11), prevê uma tempestade com alerta laranja durante toda quarta-feira. O cenário inclui precipitação entre 30 a 60 milímetros por hora ou acumulando até 100 milímetros ao longo do dia; rajadas fortes entre 60 e 100 km/h também são esperadas junto à possibilidade de granizo.
Com chuva intensa e nuvens densas cobrindo o céu, fica comprometida qualquer tentativa de observar estrelas ou meteoros.
Mais importante do que buscar brechas nas nuvens é evitar exposição às condições severas. O aviso recomenda não se abrigar sob árvores durante rajadas fortes e evitar estacionar perto de torres ou placas. Em situações emergenciais, é aconselhado contatar a Defesa Civil pelo número 199 ou chamar os Bombeiros pelo telefone 193.
Afinal, o que poderá ser visto da Serra Gaúcha?
Portanto, quem estiver na Serra Gaúcha deverá acompanhar principalmente pela internet os eventos deste dia. A visualização astronômica local dependerá não somente da posição dos astros mas também da melhoria significativa das condições climáticas.
Agosto ainda reserva uma oportunidade mais favorável para os brasileiros: entre 27 e 28 de agosto, haverá um eclipse lunar parcial visível em grande parte das Américas incluindo o Brasil. Nesse evento, cerca de 93% do diâmetro lunar ficará dentro da parte mais escura da sombra terrestre.
