O primeiro domingo de junho foi oficialmente incorporado ao calendário nacional como o Dia Nacional do Vinho. A criação dessa data foi aprovada pela Presidência da República sem restrições, através da Lei nº 15.460/2026, a qual foi divulgada no Diário Oficial da União na quarta-feira (8).
A lei surgiu a partir do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 147/2008, elaborado pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). A proposta recebeu aprovação do Senado em 2017, sob relatoria do ex-senador Pedro Simon (RS).
Fomento à cadeia produtiva
Em sua justificativa, Paulo Pimenta argumenta que a formalização dessa data visa fortalecer a vitivinicultura brasileira, além de incentivar o consumo consciente e promover o desenvolvimento econômico e turístico nas áreas produtoras.
De acordo com o parlamentar, a produção de vinhos no Brasil apresentou um avanço considerável nas últimas décadas.
“O Brasil é uma nação jovem na arte de produzir vinhos, especialmente quando comparado a países com longa tradição na atividade. Entretanto, é inegável que o interesse dos brasileiros pela bebida tem crescido”, declarou.
Pimenta também recordou que a vitivinicultura no Brasil teve início com os imigrantes italianos que chegaram ao Rio Grande do Sul em 1875.
Além disso, ele destacou que a oficialização do dia poderá promover o consumo moderado de vinho entre a população.
“Acreditamos que a instituição dessa data possa incentivar os brasileiros a adotarem esse hábito, que, de acordo com estudos científicos, pode ser benéfico à saúde, desde que o consumo seja moderado e acompanhado das refeições”, afirmou.
Crescimento da produção
A maior parte da produção de vinhos e espumantes do Brasil está concentrada no Rio Grande do Sul, mas a vitivinicultura também se espalha por outros estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, conforme informações da Embrapa Uva e Vinho.
Esse setor engloba mais de 16 mil famílias de produtores rurais, predominantemente pequenas propriedades familiares, além de contar com mais de 600 vinícolas. No total, essa cadeia produtiva gera cerca de 200 mil postos de trabalho diretos e indiretos em todo o país.
Importância da Serra Gaúcha
A Serra Gaúcha é reconhecida como a principal região produtora de vinhos e espumantes no Brasil. Municípios como Bento Gonçalves, Garibaldi, Flores da Cunha, Farroupilha, Monte Belo do Sul e Pinto Bandeira são parte essencial desse contexto. A atividade vitivinícola não apenas fortalece a economia local como também atrai turistas e preserva o legado cultural dos imigrantes italianos que iniciaram a produção vinícola no Rio Grande do Sul em 1875.
Neste cenário estão algumas das mais renomadas vinícolas do país e regiões específicas reconhecidas por sua produção de vinhos de alta qualidade, como o Vale dos Vinhedos. Este local foi a primeira indicação geográfica brasileira para vinhos e posteriormente tornou-se a primeira Denominação de Origem no setor no Brasil.
Reconhecimento global
A presença da vitivinicultura brasileira no mercado internacional tem crescido. Em 2022, o país alcançou um recorde nas exportações de vinhos e espumantes, totalizando vendas de US$ 13,6 milhões. Essa conquista foi promovida pelo projeto Wines of Brazil com apoio da ApexBrasil.
No ano seguinte, em 2024, rótulos brasileiros receberam 776 prêmios em competições realizadas em 11 países diferentes, conforme dados fornecidos pela Associação Brasileira de Enologia.
No Rio Grande do Sul, já se celebra o primeiro domingo de junho como Dia Estadual do Vinho desde 2003. Atualmente, aproximadamente 10% da população gaúcha consome vinho — um índice superior à média nacional que é estimada em apenas 1,8%.

