Na quinta-feira, dia 3, o Governo do Estado divulga o edital de chamamento para a implementação de sistemas antigranizo. O evento está programado para às 15h, no estande estadual durante a Expointer, em Esteio. A ação abrange 18 cidades da Serra Gaúcha e dos Campos de Cima da Serra, com destaque para Caxias do Sul, que desempenha um papel central na coordenação regional do projeto.
Atualmente, 14 cidades já estão integradas ao sistema antigranizo, que inclui: Caxias do Sul, Coronel Pilar, Santa Tereza, Monte Belo do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Alto Feliz, Feliz, Vale Real, Pinto Bandeira, Nova Roma do Sul, Nova Pádua, Flores da Cunha e São Marcos.
Além dessas, há um interesse manifestado por mais 10 municípios em se juntar à iniciativa em uma fase futura: Guaporé, Dois Lajeados, Vespasiano Correa, São Valentim do Sul, Veranópolis, Ipê, Garibaldi, Boa Vista do Sul, Campestre da Serra e São Francisco de Paula.
O projeto prevê a instalação de cerca de 130 unidades de proteção entre os municípios participantes. Essa estrutura tem como objetivo minimizar os danos causados pelo granizo nas áreas agrícolas, especialmente nas regiões com alta produção de uvas e outras culturas.
Projeto une cidades da Serra
A articulação para a implementação do sistema foi realizada pela Prefeitura de Caxias do Sul através da Secretaria Municipal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SMAPA). Para isso, o município organizou reuniões com prefeitos locais, representantes de entidades e deputados estaduais além de membros da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Além disso, foram feitas visitas técnicas a cidades catarinenses que já utilizam sistemas antigranizo. Um exemplo relevante é o modelo que vem sendo aplicado em Fraiburgo há muitos anos. Com base nessas experiências práticas, os municípios envolvidos avançaram na criação de um modelo adequado e na busca por recursos financeiros para a instalação das estruturas na região.
A proposta contempla geradores instalados no solo que utilizam iodeto de prata para interferir na formação do granizo nas nuvens. Essa tecnologia visa diminuir o tamanho das pedras de gelo antes que elas atinjam as colheitas.
Investimentos e responsabilidade pela manutenção
Os recursos destinados à instalação dessa estrutura provêm do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), com um investimento total estimado em cerca de R$ 15 milhões.
A Sicredi Serrana anunciou um aporte superior a R$ 6 milhões para a implementação inicial do projeto. A responsabilidade pela manutenção dos sistemas ficará a cargo dos municípios envolvidos.
O Conselho do Fundovitis também aprovou a alocação anual de aproximadamente R$ 3 milhões para cobrir os custos operacionais com a manutenção. Esses recursos começarão a ser utilizados a partir do ano de 2027.
Contexto climático atual
O lançamento ocorre em meio às previsões sobre um El Niño potencialmente intenso. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estima uma probabilidade maior que 90% desse fenômeno apresentar elevada intensidade durante o trimestre entre setembro e novembro.
O boletim mais recente emitido pelo Inmet também destaca uma expectativa de chuvas acima da média histórica para a Região Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. Diante dessa situação climática adversa, recomenda-se atenção redobrada sobre as condições meteorológicas devido ao risco potencial de chuvas intensas e inundações na região sul.
Nesse cenário desafiador, torna-se ainda mais crucial planejar medidas que visem minimizar eventuais perdas na produção agrícola durante as estações primavera e verão – um período particularmente delicado para a viticultura.
