Nesta quarta-feira (1º), a Polícia Civil efetuou a prisão de um policial penal suspeito de facilitar a evasão de um dos principais líderes da facção criminosa Bala na Cara, ocorrida na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC). A ação foi realizada durante a Operação Rota de Fuga, coordenada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap).
Conforme as investigações, o servidor público é acusado de manipular registros internos, falsificar documentos e alterar procedimentos administrativos, permitindo que um detento deixasse a unidade prisional sem qualquer autorização legal.
Evasão aconteceu em maio
O preso favorecido pela irregularidade é William Ramos Silveira, conhecido como “Will”, identificado pela Polícia Civil como uma das principais figuras da facção Bala na Cara, com forte atuação nas cidades de Cachoeirinha e Gravataí.
Segundo as apurações, William era responsável pela gestão dos recursos financeiros e armamentos da organização criminosa. Ele acumulava condenações por mais de dez homicídios, além de ter antecedentes por tráfico de drogas, organização criminosa e porte ilegal de arma. O detento ainda tinha mais de 34 anos de pena a cumprir.
A fuga ocorreu na manhã do dia 21 de maio. Utilizando documentos falsificados, William saiu da penitenciária pela entrada principal, acompanhado por outro detento que possuía um alvará de soltura regular, o que contribuiu para dar uma aparência legítima ao procedimento.
Fraudes para encobrir a evasão
As investigações revelaram que o policial penal trabalhava no setor encarregado do recebimento e processamento das ordens judiciais de soltura.
A Polícia Civil relatou que ele elaborou documentos falsos para legitimizar a saída do preso e, após a evasão, começou a eliminar provas da fraude. Entre as irregularidades detectadas estão a remoção de documentos do prontuário do detento, desaparecimento de registros de saída, modificações em planilhas internas e inserção de movimentações fictícias no sistema prisional para indicar que William ainda estava na penitenciária.
Adicionalmente, o servidor teria utilizado credenciais de outros colegas para dificultar a identificação das fraudes cometidas.
A ausência do preso só foi descoberta em 1º de junho, quando uma inconsistência foi notada pela Corregedoria da Polícia Penal. A análise das imagens do monitoramento confirmou que William havia deixado a unidade dias antes.
Suspeitas sobre pagamento
Além da facilitação da fuga, as investigações também se concentram em determinar se o policial penal recebeu algum tipo de vantagem financeira para realizar o crime.
Análises preliminares indicaram sinais de evolução patrimonial que não condizem com os rendimentos do servidor. Entre os elementos investigados está a compra recente de uma caminhonete avaliada em aproximadamente R$ 240 mil, cuja entrada foi considerada alta.
A suspeita será aprofundada através de uma investigação patrimonial e financeira detalhada.
Operação segue em andamento
A Operação Rota de Fuga não apenas resultou na prisão preventiva do policial penal, mas também cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de Canoas, Pelotas e São José do Norte.
As investigações continuam com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos na fraude, tanto dentro quanto fora do sistema prisional, além da localização do foragido.

