No mês de outubro, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Caxias do Sul deu início a uma ação intensificada com o objetivo de diminuir a fila de espera para cirurgias ginecológicas na rede pública. Atualmente, aproximadamente 700 mulheres estão aguardando por esses procedimentos, com algumas delas na lista desde 2020. A proposta inclui a disponibilização de 150 dispositivos intrauterinos hormonais Mirena, que foram adquiridos com uma emenda parlamentar no valor de R$ 180 mil.
Essa iniciativa visa oferecer uma opção de tratamento para as pacientes que necessitam da histerectomia, ou seja, a remoção do útero. O uso do dispositivo hormonal tem potencial para controlar sangramentos uterinos intensos e outros sintomas relacionados a doenças ginecológicas benignas. A eficácia deste método é indicada em cerca de 80% dos casos apropriados, conforme informações da Secretaria.
Contudo, o tratamento não substitui automaticamente a cirurgia. As mulheres que estão na lista de espera passarão por uma nova avaliação médica para determinar se ainda precisam do procedimento cirúrgico ou se podem optar pelo uso do Mirena.
Reavaliação médica das pacientes
A força-tarefa também inclui a atualização dos exames e uma avaliação individualizada da saúde das mulheres que aguardam atendimento. Essa estratégia auxiliará na identificação das pacientes que necessitam de cirurgia com urgência e aquelas que podem ser tratadas clinicamente.
Damáris Chies Migot, ginecologista e diretora técnica de Atenção à Saúde da Mulher, ressalta que a decisão sobre o tratamento dependerá do diagnóstico e das condições clínicas específicas de cada paciente.
Entre os casos que serão analisados estão mulheres com mais de 40 anos apresentando sangramento uterino persistente, miomas, adenomiose e outras condições benignas. Mulheres com menos de 40 anos também poderão ser avaliadas se tiverem sangramentos abundantes e atenderem aos critérios médicos estabelecidos.
A especialista enfatiza que essa alternativa hormonal pode ajudar a evitar procedimentos desnecessários e minimizar os impactos dos sintomas na vida cotidiana das mulheres, especialmente em suas atividades profissionais e sociais.
Contato das unidades de saúde com as pacientes
As mulheres na lista de espera para cirurgias devem aguardar o contato da Unidade Básica de Saúde (UBS) correspondente. As equipes dessas unidades serão encarregadas de convocar as pacientes para consultas e exames antes da definição do tratamento adequado.
De acordo com informações da Secretaria, essa ação também busca otimizar a organização da fila e direcionar os recursos cirúrgicos para os casos em que a operação se faz realmente necessária.
Rafael Bueno, secretário municipal da Saúde, afirma que essa medida faz parte das ações voltadas para ampliar o atendimento à saúde feminina. Ele menciona outros esforços como mutirões de exames, criação do Ambulatório da Mulher, implementação da Sala Lilás e aumento na oferta de métodos contraceptivos.
Com essa nova abordagem, a administração municipal almeja diminuir o número de cirurgias que poderiam ser evitadas e reduzir o tempo de espera das mulheres que realmente necessitam dos procedimentos cirúrgicos. Até o momento, não há uma previsão exata sobre quantas mulheres poderão sair da fila através do tratamento hormonal oferecido.
