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Janeiro Branco alerta para impactos emocionais em pacientes com doenças crônicas e seus familiares

RedacaoRedacaojaneiro 21, 2026 1253 Minutes read0

Especialista destaca que medo, ansiedade e sobrecarga podem evoluir para quadros graves sem acompanhamento psicológico.

É possível manter a saúde mental convivendo diariamente com a dor? Como preservar o equilíbrio emocional quando os dias se passam em uma cama, em razão de uma enfermidade crônica? E, para familiares e cuidadores, como priorizar a própria saúde mental diante de tantas demandas relacionadas ao cuidado do ente querido? Esses são alguns dos questionamentos levantados pela campanha Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, que convida à reflexão sobre os desafios emocionais enfrentados por pessoas com doenças crônicas e seus familiares.

De acordo com Ana Paula Pessoa, psicóloga da Clínica Florence Recife, hospital especializado em cuidados paliativos e reabilitação, um dos maiores desafios para a saúde mental de pacientes e familiares é lidar com a incerteza e com as mudanças na rotina impostas pela condição de saúde. “Para o paciente, receber um diagnóstico crônico significa enfrentar limitações físicas e reajustar expectativas de vida. Já para a família, envolve uma reorganização completa do cotidiano, além da preocupação constante com o bem-estar, a atenção e os cuidados. A incerteza, as possíveis frustrações e expectativas desproporcionais podem gerar um estresse emocional significativo quando não há suporte adequado”, alerta.

Segundo a especialista, sentimentos como medo, frustração, tristeza, ansiedade e até culpa são comuns tanto entre pacientes quanto entre familiares. Além disso, desânimo, sensação de sobrecarga e sintomas depressivos tendem a se intensificar em períodos de tratamentos prolongados, internações longas, mudanças importantes na rotina e perdas de autonomia. “É um erro fingir que a condição não está afetando emocionalmente o paciente e seus familiares. Reconhecer esses sentimentos como legítimos é o primeiro passo para a elaboração desse momento de vida, para as adaptações necessárias e para a busca de maior estabilidade emocional”, afirma Ana.

Ao lidar com uma doença crônica, uma das poucas certezas para pacientes e familiares é que a enfermidade não desaparecerá. No entanto, na maioria dos casos, existem tratamentos para doenças crônicas capazes de melhorar a qualidade de vida do paciente. O mesmo vale para a saúde mental. A carga emocional do adoecimento e do cuidado tende a surgir (e, muitas vezes, a se intensificar), mas, segundo a psicóloga, há estratégias que ajudam a minimizar seus impactos, como reservar momentos de autocuidado e priorizar o acolhimento emocional.

“É imprescindível manter um diálogo frequente com os profissionais de saúde que acompanham o paciente, além de fortalecer redes de apoio, como familiares, amigos e iniciativas comunitárias. O acompanhamento psicológico, mesmo que breve ou pontual, pode oferecer ferramentas práticas para lidar com o estresse, a tristeza e a incerteza, auxiliando no desenvolvimento de estratégias saudáveis de enfrentamento”, orienta a psicóloga.

Ainda segundo Ana Paula Pessoa, quando pacientes e familiares não reconhecem e acolhem os próprios sentimentos, a sobrecarga emocional não tratada pode evoluir para quadros mais graves, como depressão, transtornos de ansiedade e esgotamento emocional.

“A atenção preventiva e o acompanhamento psicológico são tão importantes quanto qualquer outro tratamento. É fundamental para os familiares compreender os próprios limites, fortalecer a rede de apoio e buscar ajuda profissional sempre que necessário. Para os pacientes, a orientação é reconhecer cada etapa como parte do processo de adaptação à nova realidade, seguindo as recomendações da equipe de saúde não apenas no aspecto físico, mas também no psicológico”, reforça.

A psicóloga destaca ainda que pacientes e familiares se beneficiam de espaços seguros para expressar sentimentos, planejar estratégias de enfrentamento e fortalecer vínculos de cuidado mútuo. “Buscar acompanhamento psicológico não é sinal de fragilidade, mas de responsabilidade com a própria saúde emocional e também uma forma de estar mais fortalecido para cuidar de quem se ama”, conclui psicóloga Ana Paula Pessoa.

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Clínica Florence Recifecuidados paliativosdoenças crônicasJaneiro Brancopsicologiasaúde mental
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