No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio do Rio Grande do Sul alcançou exportações de US$ 3,2 bilhões, mantendo uma representatividade de 72% nas vendas externas totais do estado. Embora tenha havido uma redução de 3,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, esse montante é o quarto maior já registrado para este intervalo na história.
As informações estão presentes no Boletim Indicadores do Agronegócio do RS, que foi divulgado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
Queda x Recorde
A diminuição de US$ 127,2 milhões nas exportações deve-se principalmente à queda nas vendas dos segmentos de soja, fumo e produtos florestais.
Por outro lado, o setor de carnes obteve um desempenho excepcional no trimestre. As exportações atingiram US$ 743,1 milhões, refletindo um aumento de 22,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Carne e Animais Vivos
Esse crescimento foi impulsionado em grande parte pela carne suína, que teve um aumento significativo de 49,6%, devido ao incremento nos embarques. A carne bovina também se destacou com uma alta de 44,8%, beneficiada pela valorização dos preços no mercado internacional.
Além disso, as exportações de animais vivos apresentaram um crescimento extraordinário de 147,4%, alcançando recordes para o período. Aproximadamente 84 mil bovinos foram enviados ao exterior, principalmente para a Turquia. O setor de máquinas e implementos agrícolas também teve um bom desempenho, com um aumento de 24,2% nas exportações.
Soja, Fumo e Produtos Florestais
A redução do complexo soja foi significativa, chegando a 27,2%, concentrando-se na soja em grão. O boletim aponta que essa queda é resultado da menor oferta do produto provocada pela estiagem que afetou a safra de 2025. Entretanto, os derivados como óleo e farelo de soja apresentaram crescimento.
No que diz respeito ao setor do fumo, a diminuição foi de 25,8%, impactada pela queda no volume exportado e pelos preços internacionais desfavoráveis. As vendas de produtos florestais, por sua vez, caíram 19,9%, especialmente nas remessas de celulose e madeira destinadas aos Estados Unidos.
Exploração de Novos Mercados
No cenário das exportações gaúchas, novos mercados estão sendo conquistados. As vendas para o Egito cresceram impressionantes 174,6%, impulsionadas principalmente pelo milho. As exportações para as Filipinas, por sua vez, aumentaram em 158,2%, devido à carne suína. A União Europeia, também registrou um incremento nas compras em 18,2%.
No entanto, as importações por parte da China e do Vietnã diminuíram consideravelmente, especialmente nos produtos como soja em grão, trigo e farelo de soja.
Geração de Empregos
A liderança nas exportações se refletiu na criação de empregos: o agronegócio foi responsável por 49,3% das novas vagas formais no Rio Grande do Sul no primeiro trimestre. O saldo totalizou 23.123 novas vagas, todas com carteira assinada.
A agroindústria destacou-se na geração de empregos com a criação de 15.137 postos novos. As demandas agropecuárias, por sua vez abriram 8.687 vagas. Na área da sangria e processamento de carnes, o número total atingiu um recorde histórico com 72.461 vínculos ativos registrados em março.
Expectativas Futuras
A expectativa para os próximos meses é otimista quanto à recuperação das exportações do complexo soja com a chegada da nova safra de 2026. A projeção indica uma produção estimada em18,3 milhões de toneladas, o que representa um aumento expressivo de 34,6% em relação à temporada anterior.
