A 3ª Mostra de Abelhas Sem Ferrão de Bento Gonçalves teve sua abertura oficial na última sexta-feira (16), ocorrendo na Rua Coberta e na Fundação Casa das Artes. O evento, organizado pela Associação Serrana de Meliponicultores (ASSERMEL) em parceria com a UCS Bento e a Fundação Casa das Artes, estendeu-se até domingo (18). A entrada foi franca e a programação focou na valorização das abelhas nativas, da biodiversidade e da meliponicultura.
Durante os três dias de atividades, a Mostra contou com a participação de 12 expositores, que trouxeram para o público uma variedade de espécies e colmeias de abelhas sem ferrão, além de exibir equipamentos utilizados no manejo desses insetos, mel e outros produtos derivados. Os visitantes ainda puderam experimentar itens como licores, própolis, cosméticos e diversas criações a partir dos meliprodutos.
A programação incluiu palestras, oficinas práticas e atividades sobre manejo e divisão de colmeias, abordando espécies como mandacaia e guaraipo, assim como oficinas voltadas à produção de sabonetes utilizando meliprodutos. Um dos principais convidados foi o biólogo Higor Rodrigues, oriundo de Minas Gerais, reconhecido por seu trabalho em promover a meliponicultura. Ele participou ativamente do evento, oferecendo uma palestra e contribuindo nas demais atividades da Mostra.
Fundada há quatro anos em Caxias do Sul, a ASSERMEL já conta com mais de 50 associados. A associação destaca o crescente interesse pela criação de abelhas sem ferrão na região da Serra Gaúcha, além da importância em ampliar os conhecimentos sobre o manejo e a conservação das espécies nativas.
Na visão do presidente da associação, Ivanir Nichetti de Campos, a Mostra também tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os efeitos prejudiciais do uso de agrotóxicos e herbicidas na sobrevivência das abelhas.
“Recebemos muitas pessoas interessadas: ‘quero começar’, ‘quero aprender’, e esse número vem crescendo na nossa região serrana. Nosso evento busca conscientizar para evitar o uso de agrotóxicos que causam danos significativos e levam à morte das abelhas, fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas. A polinização é vital para garantir a segurança alimentar e para toda a natureza”, enfatizou.
O vereador Volnei Christofoli também elogiou a iniciativa, destacando seu aspecto educativo e a relevância em disseminar conhecimento sobre a preservação das abelhas nativas.
“É um momento educativo para conhecer uma cultura que precisa do nosso cuidado para se manter viva. A Mostra tem um caráter educativo que visa expandir informações valiosas sobre essa urgência ecológica”, afirmou.
O secretário-adjunto de Agricultura, Mauro Antônio Villa, também ressaltou a relevância do evento para a conservação ambiental e o fortalecimento da agricultura familiar.
“O evento abre novas perspectivas para garantir a sobrevivência das abelhas sem ferrão enquanto educa a população sobre preservação da biodiversidade. Também estimula inovações nas produções da agricultura familiar, apresentando novas opções alimentares. É um evento abrangente, técnico e lúdico que reflete um compromisso público com ética ambiental”, destacou.
A 3ª Mostra de Abelhas Sem Ferrão reafirmou o papel essencial da meliponicultura como uma atividade que integra conhecimento, conservação ambiental e oportunidades econômicas, aproximando as comunidades das práticas necessárias à criação e preservação dessas abelhas nativas.

