No ano de 2021, mães da comunidade de Vale Verde, que levavam seus filhos para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Venâncio Aires, formalizaram um pedido ao então prefeito Carlos Gustavo Schuch. Elas solicitaram a criação de um programa de apoio voltado especificamente para elas, que dedicavam suas vidas integralmente ao cuidado dos filhos.
A psicóloga do município, Marta Froemming, é uma das pessoas que tem grande familiaridade com essa trajetória. Ela explica que, a partir dessa demanda, surgiu o projeto ‘Mulheres Fortes’. “O intuito é cuidar de quem cuida. Este é um espaço de acolhimento, onde as participantes trocam experiências e promovem o autocuidado. O nome foi escolhido pelas próprias mães”, relata.
Coordenado por Marta, o grupo funciona em parceria com as Secretarias de Saúde e Assistência Social de Vale Verde. As reuniões acontecem a cada quinze dias no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), sempre nas tardes das segundas-feiras, reunindo cerca de 15 mães atípicas — mulheres responsáveis pelo cuidado de filhos com deficiência ou transtornos que exigem atenção constante.
Uma das participantes do grupo, Glória Müller Toillier, destaca a importância desse apoio mútuo: “É essencial cuidar do cuidador. Quando estamos bem, conseguimos oferecer o melhor para nós mesmas e para nossos filhos e familiares. É um ciclo; nos chamamos de ‘Mulheres Fortes’ porque buscamos força e compartilhamos isso umas com as outras. Nada é mais reconfortante do que ter alguém ao nosso lado nessa jornada chamada vida e maternidade.”
Compartilhando experiências
Marta Froemming enfatiza que os encontros são moldados pelas necessidades apresentadas pelas mães. “Elas compartilham suas vivências e experiências; nessa troca, aprendem umas com as outras e se fortalecem coletivamente. O grupo ainda serve para dar voz às famílias na busca por melhorias em áreas como educação, políticas públicas, acessibilidade e atendimento especializado”, explica.
A psicóloga acrescenta que o grupo também oferece orientações sobre como lidar com os filhos, incluindo apoio na busca por diagnósticos adequados, opções terapêuticas disponíveis e informações sobre benefícios. “Nem todas têm uma rede familiar sólida; assim sendo, o grupo se transforma em uma rede real de ajuda, amizade e socialização. Ele busca proporcionar autocuidado e reforçar a autoestima das participantes, criando um espaço exclusivo onde podem priorizar suas necessidades — essa é a maneira mais eficaz de manter sua capacidade de cuidar”, conclui.

