A reunião Tá Na Mesa, organizada pela Federasul na última quarta-feira (27), em Porto Alegre, teve como foco central o fenômeno de El Niño e suas potenciais repercussões no Rio Grande do Sul. O evento reuniu profissionais do setor produtivo e especialistas para explorar os efeitos que esse fenômeno climático pode ter no agronegócio, nas localidades e nas administrações públicas.
Acompanhamento do El Niño no Pacífico
Um dos palestrantes foi Antonio Sartori, presidente da Brasoja, que compartilhou dados obtidos em uma recente viagem ao Peru. Este país desempenha um papel importante no monitoramento do fenômeno devido à sua proximidade com as águas do Oceano Pacífico.
De acordo com Sartori, no dia 15 de maio, especialistas peruanos notaram um aumento de meio grau na temperatura das águas costeiras do Pacífico, uma alteração que está relacionada ao El Niño. No entanto, ele enfatizou que a confirmação oficial do fenômeno ainda é prematura, pois os protocolos exigem a manutenção dessa condição por três meses seguidos.
“Não há dúvida de que o El Niño irá ocorrer. A preocupação está na intensidade que isso terá”, observou ele.
Sartori detalhou que há diversas incertezas sem previsões confiáveis, como o comportamento das águas profundas do Pacífico e a força dos ventos alísios, elementos que podem potencializar ou atenuar o fenômeno climático.
“A humanidade não possui conhecimento suficiente para mensurar a força e a velocidade desses ventos”, comentou.
Cenário financeiro e suporte técnico para o agro gaúcho
Sartori também destacou a importância de obter informações técnicas precisas. Ele informou que a Brasoja planeja disponibilizar contatos de instituições peruanas dedicadas ao monitoramento climático, com o intuito de auxiliar produtores e organizações gaúchas no acompanhamento da situação climática.
“O milho aprecia chuvas e umidade. Pode ser uma boa escolha em áreas mais elevadas. Contudo, em regiões baixas e de várzea, o risco de enchentes é uma grande preocupação”, avaliou.
Além disso, ele alertou sobre a dificuldade financeira enfrentada pelo setor agropecuário no Rio Grande do Sul, que lida com prejuízos climáticos constantes e queda nos preços agrícolas.
“Estamos há seis anos consecutivos enfrentando problemas climáticos aliados a baixos preços. A situação não se sustenta”, declarou.
Sartori ressaltou ainda que os produtores gaúchos estão entre os mais endividados do Brasil, e atualmente não há perspectivas de ajuda por parte do governo federal.
*Com informações de Rádio Agert
