A queda prematura dos frutos representa um dos maiores obstáculos enfrentados na cultivação de citros, afetando significativamente tanto a produtividade quanto a lucratividade da colheita.
Esse fenômeno muitas vezes não é causado por um único fator isolado, mas sim por uma combinação de condições que impactam o pomar ao longo de seu ciclo de desenvolvimento. Portanto, entender as razões por trás da queda antecipada dos citros é essencial para implementar estratégias que prolonguem a permanência dos frutos na árvore, assegurando sua qualidade e ampliando as possibilidades de venda.
Influência do clima e doenças nos frutos
O clima é um dos principais elementos que contribuem para esse problema. A variação nas chuvas, os períodos de seca seguidos por chuvas intensas no outono geram um intenso estresse hídrico, prejudicando o equilíbrio fisiológico das plantas e facilitando a queda prematura dos frutos. Além disso, doenças significativas como o cancro cítrico, resultante da bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, que causa lesões em folhas, ramos e frutos, e a pinta preta, provocada pelo fungo Guignardia citricarpa, são grandes responsáveis pela perda de frutos antes da colheita.
Atuação das pragas nos pomares
As pragas também desempenham um papel crucial nesse cenário. Os ácaros, especialmente os relacionados à leprose e à ferrugem, enfraquecem os frutos ao se alimentarem da seiva das plantas, acelerando sua abscisão. Cochonilhas e a mosca-das-frutas, comuns nos pomares do Rio Grande do Sul e em outras regiões do Sul do Brasil, causam danos diretos aos frutos, comprometendo sua qualidade e contribuindo para sua queda. Um desafio adicional é o greening (HLB), uma doença provocada pela bactéria Candidatus Liberibacter e transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri. Considerada uma das mais destrutivas para a citricultura global, essa enfermidade afeta o transporte de seiva, provoca deformações nos frutos e resulta em grande perda de colheita.
Estratégias de manejo integrado e preventivo
A boa notícia é que este quadro pode ser melhorado através de um manejo integrado e preventivo. O êxito depende da realização adequada de tratamentos fitossanitários no tempo certo, monitoramento contínuo de pragas e doenças, correção da fertilidade do solo e fornecimento de uma nutrição balanceada para as plantas. No aspecto nutricional, recomenda-se o uso prioritário de fontes potássicas baseadas em sulfato, como NovaTec 15-03-20, além da aplicação de remineralizadores à base de silicato de potássio como Varvito, em vez das fontes com cloreto. A suplementação foliar com produtos biológicos como Vitanica RZ, bioestimulantes como Black Evolution, silicato de cálcio (Scudero), boro combinado com algas marinhas (Citobor), micronutrientes (Fetrilon) e potássio foliar (Hakaphos Base 07-12-40) é fundamental para aumentar a resistência das plantas frente aos estresses climáticos e fisiológicos.
Aumento da qualidade e rentabilidade
No setor da citricultura, manter os frutos na planta por mais tempo sem comprometer sua qualidade oferece uma vantagem econômica significativa. Isso não apenas diminui as perdas, mas permite ao produtor colher durante períodos em que há menor oferta no mercado, aumentando seu poder de negociação e agregando valor ao produto final. É importante ressaltar que mais do que utilizar produtos isolados, é a implementação consistente de boas práticas agrícolas, realizadas no momento apropriado, que traz resultados positivos na produção de frutas de alta qualidade, redução da queda precoce dos citros e aumento da rentabilidade do pomar.

