Na última quinta-feira (14), o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, revelou em uma entrevista ao programa Bom Dia Trabalhador, transmitido pela Rádio Viva 94,5 FM, que a indústria do leite no Rio Grande do Sul está enfrentando uma das piores crises dos últimos tempos.
Tang destacou que nos últimos anos, mais de 60% dos produtores de leite abandonaram suas atividades. Estatísticas da Emater/RS-Ascar corroboram essa tendência negativa no setor. Em 2015, o estado contava com aproximadamente 84 mil propriedades produtoras de leite; até 2025, esse número despencou para cerca de 29 mil, representando uma diminuição em torno de 65%.
Apesar da drástica redução no número de produtores, a produção de leite no Rio Grande do Sul se manteve relativamente estável. Um levantamento realizado pela Secretaria da Agricultura do RS e pela Emater indica que o Estado continua a produzir cerca de 4 bilhões de litros anualmente, o que equivale a uma média diária próxima de 11 milhões de litros.
O presidente da Febrac atribui as dificuldades enfrentadas pelo setor aos fenômenos climáticos extremos que ocorreram recentemente. Ele afirmou que as secas seguidas e as inundações impactaram negativamente a produção de ração para o rebanho leiteiro e afetaram culturas importantes como a soja e o milho. Tang também mencionou que muitos produtores foram forçados a solicitar empréstimos para reparar danos estruturais e continuar suas atividades.
“Os agricultores passaram por cinco anos bastante complicados. Enfrentaram seca, alagamentos e um aumento significativo nos custos de produção, resultando em elevado endividamento no campo”, disse ele.
<pAlém disso, Tang enfatizou que a modernização das propriedades é crucial para manter a competitividade no setor. Ele observou que a ordenha manual praticamente desapareceu nas propriedades mais eficientes, sendo substituída por processos mecanizados e tecnologias que melhoram tanto a eficiência quanto a qualidade do leite, embora isso também eleve os gastos com investimento.
Relatórios da Emater indicam que o incremento tecnológico e o aumento na produtividade são fatores que explicam a manutenção do volume produzido mesmo com um número reduzido de agricultores ativos. Nos últimos dez anos, a média diária de produção por propriedade quase triplicou no Estado.
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