Entre 2016 e 2025, a Região Sul do Brasil observou uma diminuição de 20,2% no número de crianças e adolescentes com idades entre 5 e 17 anos que se encontram em situação de trabalho infantil. O total dessa população caiu de 292 mil para 233 mil indivíduos, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (16).
Embora tenha ocorrido uma redução significativa, a Região Sul ainda apresenta a maior taxa de adolescentes entre 16 e 17 anos em trabalho infantil no Brasil, alcançando um índice de 17,8%. O Norte vem logo atrás, com uma taxa de 17,6% nessa faixa etária.
Considerando toda a população de crianças e adolescentes com idades entre 5 e 17 anos, o trabalho infantil atinge cerca de 4,4% desse grupo na Região Sul.
Maior redução no Nordeste
No período entre 2022 e 2025, o Nordeste foi a região que registrou a maior queda no número de crianças e adolescentes envolvidos em trabalho infantil, com uma diminuição de 29,2%. O Centro-Oeste também apresentou resultados positivos, com uma redução de 20,5% nesse mesmo intervalo.
Em comparação a dados de 2016, o Nordeste conseguiu reduzir em impressionantes 45,6% o número total de jovens nessa situação.
Menor índice histórico no Brasil
Em 2025, o Brasil contabilizava aproximadamente 1,5 milhão de pessoas com idades entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, o que corresponde a cerca de 4% da população dessa faixa etária. Esse número representa uma queda de 9,2% em relação ao ano anterior (2024) e é o menor registro desde o início da série histórica em 2016, quando havia cerca de 2,1 milhões nessa condição.
Conforme informações do IBGE, a população brasileira na faixa etária dos 5 aos 17 anos totaliza aproximadamente 37,8 milhões. Dentre esses jovens, cerca de 1,8 milhão se dedicavam a atividades econômicas ou de autoconsumo. Essa categoria inclui funções como cultivo agrícola, criação animal, pesca e fabricação de produtos destinados ao uso exclusivo do lar.
Aspectos legais sobre trabalho infantil
As leis brasileiras possuem diretrizes específicas relacionadas ao trabalho realizado por crianças e adolescentes. Até os treze anos, qualquer forma de atividade laboral é vedada. Para aqueles com idades entre quatorze e quinze anos, somente é permitido trabalhar na condição de aprendiz.
Para os adolescentes que têm entre dezesseis e dezessete anos, o trabalho é autorizado com algumas restrições. A legislação proíbe atividades noturnas assim como aquelas consideradas perigosas ou insalubres. Além disso, existem outras condições estabelecidas nas normas que visam proteger esse grupo etário.
O IBGE utiliza diversos critérios ao determinar se uma atividade deve ser classificada como trabalho infantil. Esses critérios incluem fatores como idade do trabalhador, formalização do vínculo empregatício, carga horária semanal dedicada ao trabalho escolaridade dos jovens e tipo das ocupações exercidas.

