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Sistema antigranizo é acionado nesta semana em Pinto Bandeira

Cotidiano GauchoCotidiano Gauchosetembro 16, 2026 753 Minutes read0

A Vinícola Família Geisse, em Pinto Bandeira, acionou nesta semana o sistema de proteção contra granizo instalado na propriedade em 2023. O equipamento funciona de forma automática e remota a partir do monitoramento de células de tempestade com potencial para formação de granizo. Segundo a vinícola, o sistema permanece ativo enquanto houver risco na área de atuação.

Sistema automático contra granizo

Segundo Daniel Geisse, uma central especializada acompanha a movimentação das nuvens e identifica aquelas com potencial de granizo. Quando a célula entra no raio de atuação, o equipamento é acionado automaticamente.

A Geisse afirma que o acionamento ocorre praticamente de forma instantânea após a identificação do risco.

“O sistema funciona remotamente. Existe uma central mundial especializada em monitoramento de nuvens com potencial de granizo. Quando detecta o risco dentro do raio de atuação, o sistema entra em funcionamento e permanece ativo até que seja eliminado”, explica.

O equipamento utiliza acetileno para gerar a ignição do sistema. Segundo Geisse processo produz ondas de choque que atuam sobre as pedras de gelo em suspensão nas nuvens.

“Ele é o responsável por dar a ignição no sistema que gera uma onda hipersônica com a capacidade de chegar a 15.000 metros e dilacerar as pedras de gelo em suspensão dentro das nuvens, permitindo que caiam em forma de chuva e não pedras de gelo”, explica.

Pioneirismo e benefícios da tecnologia

A família Geisse afirma ter sido pioneira no agronegócio brasileiro na utilização desse tipo de sistema. O equipamento foi instalado em 2023 e, desde então, a empresa relata não ter registrado perdas provocadas pela incidência de granizo na região.

“E, pelo que podemos acompanhar no radar, a área de atuação é muito maior do que imaginávamos inicialmente, o que nos deixou muito satisfeitos, pois o investimento acabou por beneficiar boa parte da região. E não se restringe somente às perdas financeiras, pois, quando falamos em granizo, também devemos contabilizar os transtornos causados nas estruturas das propriedades, que geram uma série de problemas emergenciais”, esclarece.

O sistema também serve de modelo para outras regiões.

“Desde a instalação do equipamento, já enfrentamos um dos mais severos registros de núcleos de granizo já registrados, e o sistema demonstrou-se muito eficaz, o que acabou gerando o interesse e posterior investimento por parte da defesa civil de outros municípios, como no caso de Chapecó, em Santa Catarina, que instalou os equipamentos para proteger a cidade dos eventuais danos que em muitas ocasiões anteriores prejudicaram severamente a região”, afirma.

Custos e aceitação da comunidade

A aquisição e instalação do equipamento custaram aproximadamente R$ 600 mil, segundo a vinícola. Depois, a empresa investiu mais R$80 mil em um sistema de abafadores de ruído.

O funcionamento também envolve despesas recorrentes. A mensalidade do monitoramento por satélite custa cerca de R$3 mil, além dos gastos com revisões e manutenção. “Os custos variam dependendo do tempo que o sistema fica em atividade até dissipar a célula de granizo”, ressalta.

Geisse explica que, no primeiro momento, houve, sim, um certo estranhamento sobre o ruído que o equipamento fazia, mas que os benefícios foram maiores.

“Inclusive, houve um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas solicitando que mantivéssemos o sistema em funcionamento, mesmo fora das épocas de risco para nossa produção, o que naturalmente foi atendido, pois não se trata somente de proteger a produção, mas também as propriedades”, recorda.

Geisse finaliza explicando que a atuação do raio é muito maior do que eles imaginavam, pois, à medida que as nuvens passam pela área de atuação, as células de granizo são dissipadas e o vento empurra essas nuvens livres de granizo para longe.

Tags
AgroantigranizoGranizoPinto BandeiraProteçãovinicultura
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