Um vídeo que ganhou destaque nas redes sociais neste fim de semana coloca o vereador Hiago Morandi (Novo) no centro de uma controvérsia, acusando-o de agredir uma pessoa em situação vulnerável. As imagens, registradas pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) em julho de 2025, no Morro do Sabão, próximo ao Estádio Alfredo Jaconi, mostram Morandi e outros dois indivíduos desembarcando de um carro e se dirigindo a um muro na Rua Borges de Medeiros, onde estaria a suposta vítima da agressão.
Morandi refuta as alegações, afirmando que está sendo alvo de uma perseguição política. A defesa do vereador argumenta que ele não pode ser identificado nas imagens e que não é possível determinar, com segurança, quem são os indivíduos filmados.
O conteúdo das imagens
As gravações mostram um veículo chegando ao local e três homens saindo dele. Dois deles – identificados nas redes sociais como Hiago Morandi e seu irmão – caminham em direção a um muro, onde parece haver uma altercação. Endres, que seria um dos presentes, aparece sem capuz durante o incidente.
O vídeo começou a circular nas plataformas digitais no sábado (13), gerando acusações e debates sobre o ocorrido.
Núcleo da polêmica
A divergência principal se concentra na identificação dos indivíduos nas imagens e não necessariamente no conteúdo do vídeo em si.
Leonardo Endres afirmou estar presente no local e implicou Hiago Morandi na agressão. Por outro lado, a defesa do vereador sustenta que ele não é visível na gravação e que a falta de clareza das imagens torna impossível a identificação precisa dos envolvidos.
No mesmo dia (13), uma decisão liminar da Justiça determinou a remoção de uma postagem feita pelo vereador Carlos Roberto de Souza Robaina (PSOL), que relacionava Morandi ao incidente. O juiz considerou que as imagens não tinham qualidade suficiente para confirmar a presença do vereador entre os filmados. Esta decisão foi tomada sem entrar no mérito das acusações.
Identidade do ex-assessor acusador
Leonardo Endres trabalhou com Hiago Morandi por mais de dez anos e, segundo sua defesa, tinha uma relação próxima com o vereador, sendo padrinho do seu casamento.
Durante as investigações, Endres reiterou sua presença no local da filmagem e fez menção à participação de Morandi na agressão alegada.
A defesa também acrescentou que possui evidências como documentos, fotos e gravações que supostamente demonstram a presença do vereador durante o evento. Esses materiais estão previstos para serem enviados às autoridades competentes para análise.
Além disso, foi informado que Leonardo tem um depoimento agendado com o Ministério Público Federal.
Argumentos da defesa de Hiago Morandi
Ao ser contatado pela reportagem, o advogado Rodrigo Tomasi negou qualquer envolvimento do vereador nos acontecimentos narrados.
Ele destacou que Hiago não aparece nas filmagens e que Leonardo Endres é a única pessoa claramente identificável nelas.
A defesa ainda levantou questões sobre a procedência do vídeo e sua divulgação, argumentando que poderia estar sendo utilizado para fins políticos adversos.
Quanto às declarações feitas por Endres após sua exoneração do gabinete de Morandi, a defesa insinuou que essas seriam motivadas por desentendimentos pessoais recentes entre eles.
Ainda assim, ressaltou ter conseguido uma decisão liminar para remover a postagem realizada por Robaina.
Posição do vereador
No domingo à noite (14), Hiago Morandi postou um vídeo em suas redes sociais abordando o caso diretamente.
No material gravado, ele negou ter agredido moradores em situação de rua e alegou estar sofrendo perseguições políticas.
“Nunca agredi nenhum morador de rua ou qualquer pessoa nessa condição”, afirmou.
Morandi também mencionou ter estado em situações envolvendo suspeitos de crimes anteriormente, mas negou veementemente qualquer ato violento contra pessoas vulneráveis. Ele questionou ainda a origem das filmagens e citou a decisão judicial referente à retirada da postagem por Robaina, responsabilizando adversários políticos pela repercussão negativa do caso.
Status das investigações
As informações acerca de possíveis investigações são contraditórias até o momento.
A defesa de Leonardo Endres indicou que há uma audiência marcada com o Ministério Público; já os representantes de Hiago Morandi afirmam não ter conhecimento sobre qualquer investigação ativa relacionada ao episódio.
No presente momento, não foram disponibilizados documentos públicos esclarecendo o estágio ou os detalhes específicos das apurações relacionadas ao caso.
Pedido por apuração pelo PT
A repercussão deste caso provocou reações políticas em Caxias do Sul. Em nota divulgada pelos vereadores Rose Frigeri, Estela Balardin e Lucas Caregnato, o Partido dos Trabalhadores (PT) descreveu as denúncias como graves e pediu uma investigação minuciosa sobre os fatos ocorridos.
“O Parlamento não pode oferecer abrigo para ações violentas incompatíveis com a vida pública”, enfatiza um trecho da declaração oficial do partido.
A sigla também solicitou medidas adequadas nas esferas criminal e político-administrativa e reafirmou sua oposição a atitudes que fomentem ódio ou intolerância na sociedade.
Silêncio oficial do Partido Novo
A reportagem procurou o presidente estadual do Partido Novo para obter comentários sobre o caso. Ele respondeu informando que a sigla optará por não emitir nenhuma manifestação oficial neste momento específico.
Conforme o dirigente partidário, Hiago Morandi já expôs publicamente sua versão dos fatos e busca respaldo judicial para remover o vídeo originador da polêmica.
Questões pendentes
Ainda há muitas questões sem respostas claras sobre este episódio. O caso continua envolto em versões conflitantes: enquanto um ex-assessor afirma ter testemunhado os eventos e envolve o vereador na suposta agressão, Morandi e seus defensores negam qualquer participação no ocorrido e atribuem as acusações exclusivamente à rivalidade política existente.
