Nesta terça-feira (7), o Serviço Geológico do Brasil divulgou os resultados do mapeamento das áreas sujeitas a riscos geo-hidrológicos em Bento Gonçalves. As informações foram apresentadas durante uma audiência pública que faz parte da elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), realizado em colaboração com a Secretaria Nacional de Periferias, vinculada ao Ministério das Cidades.
O estudo identificou 139 locais com risco geológico no município, afetando 1.409 propriedades e aproximadamente 5.940 residentes.
Entre as áreas catalogadas, nove foram consideradas como de risco muito alto, englobando 83 imóveis e 332 habitantes. Além disso, 61 regiões foram classificadas como de risco alto, envolvendo 492 propriedades e 2.272 moradores. As 69 áreas restantes foram categorizadas como de risco médio, abrigando 834 imóveis e 3.336 pessoas.
Os especialistas apontaram que os principais desafios estão relacionados à ocupação inadequada de encostas e regiões vulneráveis a fenômenos geológicos, além de intervenções impróprias no solo e chuvas intensas.
Tiago Antonelli, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil e responsável pela Divisão de Geologia Aplicada, ressaltou que os resultados do estudo serão fundamentais para direcionar futuras ações na cidade.
“Esse diagnóstico técnico permitirá orientar intervenções estruturais e não estruturais por parte da prefeitura para reduzir a exposição da população e aumentar a capacidade de resposta do município diante de eventos extremos”, comentou.
A diretora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano, Melissa Bertoletti Gauer, também enfatizou que o relatório servirá como base para novas iniciativas preventivas.
“É um documento que servirá de base para ações na cidade. Nossos técnicos vão analisar cada ponto. Muitas ações já foram executadas nos últimos meses, como contenção na Aristides Bertuol e troca de tubulação no Vale dos Vinhedos, em diversos pontos da cidade e do interior”, afirmou.
Bairros em Grupos de Risco
Dentre as áreas classificadas como de risco muito alto, o distrito de Faria Lemos é o que concentra o maior número de moradores expostos, com mais de 290 pessoas distribuídas por seis setores vulneráveis a deslizamentos e enxurradas.
No segmento considerado de risco alto, o bairro Municipal destaca-se pela quantidade de residentes afetados, totalizando 264 pessoas vivendo em uma região mapeada com potencial para deslizamentos na Rua José Gasperini.
No caso do risco médio, o bairro Zatt apresenta a maior população vulnerável, com 648 pessoas residindo na Rua João Domingos, uma área suscetível a deslizamentos.
Além do distrito Faria Lemos, outras áreas com classificação muito alta incluem os bairros Zatt, Municipal e Fenavinho.
Bairros reconhecidos como tendo áreas em risco alto incluem Eucaliptos, Zatti, Municipal, Universitário, Progresso, Borgo, Conceição, Vale dos Vinhedos, Vinosul, Fenavinho, Vila Nova, Santa Helena e os distritos Faria Lemos e Tuiuty.
As regiões classificadas como risco médio foram identificadas em bairros como Eucaliptos, Zatt, Fenavinho, Municipal, São Roque, Universitário, Progresso, Borgo, São Paulo, Jardim Glória, Vinosul, Imigrante, Vila Nova, Santa Helena e Fátima. Também há comunidades do interior e nos distritos Faria Lemos e Tuiuty.
Sobre o Plano Municipal de Redução de Riscos
O PMRR funciona como um instrumento estabelecido pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, voltado à identificação das áreas suscetíveis a perdas causadas por fenômenos geológicos e hidrológicos. Além disso, ele orienta investimentos públicos e ações relacionadas ao planejamento urbano e políticas habitacionais.
No município de Bento Gonçalves, as atividades iniciaram em outubro de 2024 e foram finalizadas em junho de 2025. O estudo não apenas fornece um diagnóstico detalhado mas também sugere medidas como obras estruturais para contenção e drenagem das águas pluviais, monitoramento das áreas críticas e estratégias voltadas à preparação para situações adversas.

