A transferência formal da concessão do Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, localizado em Caxias do Sul, para a Infraero foi oficialmente realizada nesta terça-feira (23). A cerimônia de assinatura ocorreu nas dependências do próprio terminal e contou com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, do prefeito Adiló Didomenico, além de representantes da estatal e outras autoridades políticas.
Conforme informou o diretor de Administração da Infraero, Aparecido Silva, as equipes já iniciaram os trabalhos para a transição operacional do aeroporto. Embora a estatal tenha um prazo de 120 dias para assumir completamente a gestão do terminal, contados a partir da publicação da portaria do Ministério de Portos e Aeroportos em 1º de junho, os preparativos para essa nova fase já estão em andamento.
Silva manifestou otimismo ao afirmar que a expectativa é promover melhorias na estrutura e aprimorar o atendimento aos usuários, assegurando que a transição ocorra sem prejuízos às operações existentes.
Reconhecimento durante a calamidade
<p Durante o evento, o prefeito Adiló enfatizou a relevância do suporte fornecido pela Infraero durante as enchentes devastadoras que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Com o fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, o Hugo Cantergiani tornou-se um ponto estratégico, recebendo um número recorde de voos e passageiros.
“Nosso entendimento é que ele era um aeroporto regional simples, que não estava sob os holofotes das autoridades públicas na época, pois atendia apenas Caxias e municípios vizinhos. Contudo, rapidamente se transformou em uma alternativa viável”, declarou.
O ministro também sublinhou a importância crucial do terminal de Caxias do Sul durante aquele período crítico e afirmou que a mudança na administração para a Infraero deve contribuir significativamente para aumentar a conectividade aérea na Serra Gaúcha.
“A aviação regional foi essencial; sem ela teríamos enfrentado enormes dificuldades para movimentar pessoas pelo Brasil e escoar produtos essenciais. Graças a essa infraestrutura conseguimos superar os desafios daquele momento. Estamos investindo consideravelmente através do Fundo Nacional de Aviação Civil, inclusive aqui no Rio Grande do Sul, para modernizar as instalações e garantir qualidade de vida, oportunidades de emprego e desenvolvimento nas comunidades locais”, ressaltou.
No presente momento, o aeroporto opera três voos diários por meio das companhias Azul, Gol e Latam, conectando Caxias do Sul a São Paulo. Em 2025, aproximadamente 344 mil passageiros utilizaram suas instalações. O recorde foi alcançado em 2024, quando o movimento atingiu 450 mil usuários devido à suspensão das operações no Salgado Filho.
Investimentos e adequações
A transferência da administração do Hugo Cantergiani estava sendo negociada entre o município e o governo federal há vários meses. Desde que assumiu a concessão em 2023, a prefeitura implementou diversas melhorias para atender às exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Dentre as ações realizadas estão a recuperação da pista com investimento superior a R$ 8 milhões oriundos do Governo do Estado, além da reforma do muro próximo à cabeceira sul. Também foram adquiridos novos equipamentos e viaturas, bem como um trator destinado à manutenção da área operacional, totalizando cerca de R$ 4 milhões provenientes de recursos municipais. Nos próximos meses, está prevista a licitação para ampliação do terminal de passageiros com custo estimado em R$ 7 milhões financiados pelo governo estadual.
Vila Oliva avança
Aproveitando a presença do ministro Tomé Franca no evento, Adiló anunciou também a homologação da Terracom Construções, empresa vencedora da licitação responsável pela execução da Etapa Ar do futuro Aeroporto de Vila Oliva.
A publicação oficial sobre essa decisão saiu no Diário Oficial do Município nesta terça-feira. Representantes da empresa paulista marcaram presença na cerimônia realizada no Hugo Cantergiani.
Essa obra é considerada essencial para viabilizar o novo aeroporto regional — um projeto estratégico voltado para aumentar a capacidade aeroportuária da Serra Gaúcha e promover o crescimento econômico na região.

